Elevador conquistado por estudante com deficiência na UFG receberá o nome dele após morte

A Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG) realiza nesta segunda-feira (26), às 15h, um ato de homenagem em memória de Sérgio Gomes Ribeiro, de 26 anos. Estudante de Design Gráfico e diretor de Acessibilidade do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o jovem morreu na sexta-feira (23), após complicações decorrentes de uma pneumonia, deixando um legado marcante na luta por inclusão dentro da instituição.
Durante a cerimônia organizada por colegas da militância estudantil, o elevador instalado no prédio da faculdade após uma intensa campanha liderada por ele passará a se chamar Elevador Sérgio Gomes. A iniciativa busca eternizar a trajetória de um aluno que transformou as próprias dificuldades de locomoção em uma pauta coletiva por direitos básicos e permanência estudantil no ensino superior público.
A luta pela acessibilidade na Faculdade de Artes Visuais
A mobilização que culminou na instalação do equipamento teve início em 2024, quando Sérgio ficou preso com a cadeira de rodas no antigo elevador utilizado para o transporte de cargas na faculdade. Naquela época, o dispositivo apresentava falhas mecânicas frequentes, o que impedia o acesso regular do estudante às salas de aula localizadas no segundo andar do prédio acadêmico.
Diante das barreiras arquitetônicas, a rotina acadêmica exigia adaptações improvisadas, como a transferência de turmas inteiras para o térreo por parte de alguns professores. A situação motivou uma articulação direta entre o Diretório Central dos Estudantes e o Centro Acadêmico de Design Gráfico (CADEG), contando com a participação ativa de Sérgio desde os primeiros momentos de protesto e cobrança institucional.
Mobilização e ocupação por direitos
A articulação estudantil ganhou força com atos públicos e estratégias de pressão política junto à administração universitária. Entre as ações organizadas pelo movimento esteve a ocupação da Reitoria da UFG, além de sucessivas reuniões com a direção da faculdade e representantes da gestão superior para exigir uma solução definitiva para o problema da acessibilidade no campus.
Colegas que acompanharam de perto o ativismo destacam que o estudante nunca limitou a pauta às suas próprias necessidades imediatas. A atuação coletiva visava garantir que futuras gerações de alunos com deficiência pudessem frequentar o ambiente universitário com dignidade, autonomia e segurança, abrindo portas para uma ocupação mais diversa dos espaços acadêmicos.
Legado e impacto para a comunidade acadêmica
A conquista do novo elevador garantiu a Sérgio maior independência para circular pelas dependências da faculdade durante o período em que frequentou as aulas. Ele e a jornalista e designer gráfica Rafaela Correa ingressaram juntos na turma de Design Gráfico em 2023, construindo uma trajetória conjunta de militância estudantil em gestões do CADEG e do DCE.
A perda do estudante gerou forte comoção entre alunos, professores e servidores da universidade, mobilizando homenagens institucionais e manifestações de pesar nas redes sociais. A nomeação do equipamento consolida na história da instituição a lembrança de sua perseverança, servindo como marco permanente da luta coletiva por uma universidade verdadeiramente inclusiva e acessível para todos.
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