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Ipasgo cobra R$ 105 milhões em Goiás após crise financeira e novos aportes do Estado

O Ipasgo Saúde iniciou uma ampla cobrança voltada para recuperar cerca de R$ 105 milhões referentes a mensalidades e coparticipações em aberto. A medida atinge um universo de 105.764 beneficiários que acumulam pendências financeiras com a operadora, em um cenário marcado por reestruturações administrativas e aportes milionários dos cofres públicos estaduais.

A situação financeira da instituição tem mobilizado debates frequentes e exigido intervenções legislativas e executivas para tentar equilibrar o atendimento aos servidores públicos e usuários vinculados ao plano de saúde.

Reestruturação administrativa e aportes financeiros

Em 2023, a gestão do governador Ronaldo Caiado promoveu a transformação do Ipasgo de autarquia em serviço social autônomo. A mudança jurídica foi justificada pela administração estadual como uma adequação contábil necessária para modernizar a gestão e melhorar a qualidade dos serviços prestados aos beneficiários.

Apesar da reformulação, as dificuldades financeiras persistiram nos anos seguintes. Em 2024, uma nova lei autorizou o repasse de até R$ 480,4 milhões para cobrir insuficiências mensais da operadora. Posteriormente, em 2025, a Assembleia Legislativa aprovou a autorização de mais R$ 477,7 milhões diante da projeção de um déficit assistencial continuado.

Impacto nas famílias e novas cobranças

Outra alteração relevante na dinâmica do plano ocorreu com a determinação de cobrar, a partir de 2026, dependentes que anteriormente eram isentos nos planos tradicionais Básico e Especial. A nova regra estabelece o pagamento correspondente a 30% da tabela por faixa etária, aplicando-se um teto vinculado diretamente à contribuição feita pelo titular.

A alteração elevou de forma expressiva o custo mensal para diversas famílias atingidas pelas novas regras tarifárias. Nas dependências do Legislativo estadual, parlamentares relataram o recebimento constante de queixas de usuários sobre demora na liberação de exames, falhas na rede credenciada e dificuldades para obter atendimento médico no interior do estado.

Repercussão e alternativas de parcelamento

Diante do montante bilionário envolvido e do alto índice de inadimplência, a diretora Mariana Accioly alertou que a falta de repasses e o acúmulo de atrasos podem pressionar futuros reajustes nas tabelas, afetando inclusive os segurados que mantêm os pagamentos em dia.

Para tentar reverter o quadro de inadimplência e facilitar a quitação dos débitos pelos titulares, o Ipasgo passou a oferecer facilidades como o parcelamento do valor devido em até 36 vezes, exigindo uma entrada mínima de 15% e parcelas mensais a partir de R$ 100.

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