Polícia Federal investigará fraude na filiação partidária da viúva de Amiltinho a pedido do Ministério Público
O Ministério Público Eleitoral posicionou-se nesta quinta-feira (22) contrariamente ao reconhecimento da filiação partidária de Ana Caroline Guimarães de Oliveira Faria, viúva do deputado estadual Amilton Filho, conhecido como Amiltinho, falecido em 26 de setembro. O parecer técnico detalha contestações jurídicas relevantes sobre a validade dos registros apresentados.
Assinado pelo promotor Lucas Danilo Vaz Costa Júnior, o documento requer formalmente a revogação da liminar que concedeu o registro provisório da filiação de Ana Caroline ao MDB. Além disso, a peça jurídica solicita que o caso seja encaminhado para apuração rigorosa por parte da Polícia Federal.
Contestações sobre datas e registros partidários
A defesa sustenta que o ingresso de Ana Caroline no MDB ocorreu em 17 de novembro de 2025, antecipando-se ao prazo limite estipulado para o calendário eleitoral em 4 de abril de 2026. No entanto, o órgão ministerial argumenta que faltam elementos probatórios sólidos para atestar a veracidade da cronologia declarada.
Durante a análise dos documentos internos da legenda, o promotor identificou inconsistências severas no livro de atas. Entre os pontos destacados estão alterações físicas na estrutura do material, incluindo uma página com formatação divergente e evidências visuais de ter sido arrancada ou substituída.
Modificações em reportagens e prazos questionados
O parecer também coloca sob suspeita publicações jornalísticas utilizadas como comprovação da militância partidária. De acordo com o Ministério Público Eleitoral, uma das reportagens anexadas passou por modificações em 29 de setembro, apenas três dias após o falecimento de Amiltinho.
Outro registro digital citado na defesa sofreu alterações em 6 de outubro, data imediatamente anterior ao julgamento oficial do registro de candidatura. Para o órgão fiscalizador, a manipulação temporal de evidências públicas compromete a lisura do processo administrativo.
Encaminhamento para a polícia federal e desdobramentos
Diante do conjunto probatório reunido na manifestação, a promotoria determinou o envio imediato dos autos para a Polícia Federal. A medida visa investigar a ocorrência de possíveis falsidades documentais e outros crimes de natureza eleitoral previstos na legislação brasileira.
Apesar da gravidade dos apontamentos apresentados pelo Ministério Público, vale destacar que o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás havia deferido por unanimidade o registro de candidatura de Ana Caroline em 7 de outubro. O novo parecer ainda aguarda apreciação judicial e não resulta, de forma automática, na anulação da candidatura ou impedimento definitivo de posse.
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