Associação de restaurantes vai à Justiça contra modelo de entrega da Keeta

A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) moveu uma ação judicial contra a Keeta Delivery Brazil para tentar suspender o modelo conhecido como compra intermediada. O recurso legal busca impedir que a plataforma permita pedidos em estabelecimentos que não possuem vínculo comercial formal com o aplicativo.
Protocolada na Justiça de São Paulo, a ação civil pública com pedido de tutela de urgência aponta que diversas empresas gastronômicas figuram no catálogo sem consentimento prévio. A entidade requer que a companhia seja proibida de utilizar marcas, nomes, logotipos, cardápios e fotografias de estabelecimentos que não sejam parceiros oficiais.
Entenda a disputa judicial sobre a compra intermediada
O foco principal da medida jurídica é obter uma liminar que obrigue a suspensão imediata da modalidade para qualquer comércio que não tenha autorizado formalmente sua presença na plataforma. A causa foi estimada em R$ 10 milhões, acompanhada da solicitação de multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento por cada marca mantida sem autorização.
O modelo de operação diverge drasticamente da relação tradicional entre aplicativos de entrega e o setor de alimentação fora do lar. Na prática da compra intermediada, o restaurante não mantém contrato ativo e frequentemente desconhece a origem digital da solicitação até o momento da retirada.
Como funciona a operação sem vínculo contratual
De acordo com os autos do processo, a dinâmica ocorre quando o consumidor realiza o pedido por meio da interface digital. Em seguida, um entregador vinculado ao aplicativo ou um prestador terceirizado se dirige fisicamente ao local, compra o item no balcão e realiza o transporte até o endereço final.
A defesa da plataforma argumenta nos termos de uso que atua apenas como mandatária da vontade do consumidor. As regras descritas no processo indicam que, ao finalizar a transação, o usuário designa a empresa e seus representantes para adquirir, pagar e retirar o produto em seu nome.
Impactos e perspectivas para o setor de delivery
A ausência de canal direto de comunicação e de anuência prévia sustenta as principais queixas do setor produtivo. Conforme a argumentação apresentada pela ANR, o proprietário do estabelecimento perde o controle sobre a exposição de sua marca, a gestão de estoque e o controle de qualidade associado ao produto final entregue ao cliente.
O desdobramento dessa controvérsia jurídica pode estabelecer um marco regulatório importante para as empresas de tecnologia e para o mercado de serviços digitais no país, redefinindo os limites da atuação de intermediários no comércio eletrônico.
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