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Médica é denunciada após sugerir retenção de pacientes petistas em hospital de Goiânia

Uma médica ginecologista e obstetra que atua no Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara, em Goiânia, tornou-se alvo de uma denúncia formal junto ao Ministério Público Federal (MPF). O caso envolve a suspeita de que a profissional teria utilizado um grupo de WhatsApp, composto por funcionários da unidade de saúde, para orientar que pacientes não recebessem alta durante o fim de semana de eleições.

O teor da mensagem e a denúncia ao MPF

A controvérsia teve início após o vazamento de uma mensagem enviada na tarde de sexta-feira (2). No texto, a médica teria instruído a equipe de plantão: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta pra ninguém, a maioria é petista”. A mensagem, segundo relatos, foi acompanhada por uma figurinha digital contendo o rosto do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A denúncia foi protocolada pelo advogado Alan Henrique Silva Marques, que recebeu o conteúdo de um interno de medicina. O documento argumenta que, caso a orientação tenha sido efetivamente cumprida, a conduta configuraria uma grave interferência no direito ao voto dos pacientes, que seriam mantidos internados sem necessidade clínica apenas por motivações ideológicas.

Investigação ética e posicionamento do Cremego

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) foi acionado para apurar o caso. Em nota oficial, o órgão ressaltou que não comenta casos específicos sob investigação, uma vez que procedimentos éticos tramitam sob sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O conselho confirmou, contudo, que solicitou esclarecimentos à profissional e ao responsável técnico da instituição citada.

O processo pode evoluir de uma sindicância para um processo ético-profissional caso sejam encontrados indícios suficientes de infração. A utilização de uma unidade de saúde pública para fins político-partidários é um dos pontos centrais que o MPF deve avaliar, buscando determinar se houve abuso de poder hierárquico por parte da médica.

Contexto e repercussão do caso

Relatos apontam que o ambiente de trabalho no referido hospital já apresentava tensões políticas antes do episódio. Mensagens de teor eleitoral teriam sido registradas no mesmo grupo de mensagens na noite de quinta-feira (1º), incluindo referências a candidatos e números de urna. Até o momento, não há comprovação de que pacientes tenham sido mantidos na unidade sem indicação médica, ponto que deve ser esclarecido durante a apuração dos órgãos competentes.

A prática de condicionar o atendimento médico ou a alta hospitalar a convicções políticas fere o Código de Ética Médica, que estabelece o atendimento humanizado e imparcial como pilar da profissão. O caso segue sob análise das autoridades, enquanto a classe médica e a sociedade civil acompanham os desdobramentos sobre a conduta da profissional.

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