Polícia Federal revela “fábrica de documentos” no Banco Master e investiga elo com Credcesta em Goiás
A Polícia Federal (PF) desvendou um esquema de proporções alarmantes no Banco Master, que está sendo investigado no âmbito da Operação Compliance Zero. A apuração revelou a existência de uma verdadeira “linha de produção” de documentos forjados, utilizando dados reais de clientes, inclusive do CredCesta. O objetivo, segundo as investigações, seria simular a cessão de impressionantes R$ 7,15 bilhões em créditos ao Banco de Brasília (BRB).
A descoberta, feita a partir da análise de um HD apreendido, lança luz sobre práticas que podem ter comprometido a integridade do sistema financeiro e a confiança dos consumidores. O caso ganha contornos ainda mais complexos ao envolver o governo de Goiás e alterações legislativas que, coincidentemente, beneficiaram a operação de cartões consignados como o CredCesta.
Mecanismo da fraude: a “fábrica de documentos” e bilhões simulados
A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, revelou um intrincado sistema de falsificação documental dentro do Banco Master. A análise forense de um disco rígido apreendido trouxe à tona uma apresentação detalhada que descreve uma estrutura organizada para a geração industrial de documentos financeiros.
De acordo com a investigação, a “fábrica de documentos” utilizava dados sensíveis de clientes legítimos, muitos deles vinculados ao CredCesta, para criar contratos fraudulentos. O objetivo final era simular a cessão de um montante bilionário – R$ 7,15 bilhões – em créditos para o BRB, o que levanta sérias questões sobre a supervisão e a segurança das operações financeiras.
A perícia da PF identificou a geração em massa de Cédulas de Crédito Bancário (CCB), termos de consentimento e procurações, elementos cruciais para a formalização de operações de crédito. Mais preocupante ainda, os peritos constataram a remoção de datas, páginas e até mesmo assinaturas em parte da documentação investigada, indicando uma tentativa de apagar rastros e dificultar a identificação da fraude.
Conexão com Goiás: CredCesta e as mudanças legislativas
O cenário da investigação se estende ao estado de Goiás, onde o CredCesta, gerido pelo Banco Master, teve uma aproximação significativa com o governo local. Documentos oficiais mostram que, em 28 de março de 2023, a Secretaria da Economia de Goiás realizou uma reunião com Fernando Mascarenhas, diretor comercial do Banco Master e gestor do CredCesta.
Após o encontro e a análise do material apresentado pelo banco, o governo goiano considerou a proposta do cartão consignado viável. Essa avaliação abriu caminho para uma série de alterações legislativas que beneficiariam diretamente o setor de crédito consignado e, consequentemente, operações como a do CredCesta.
A proposta avançou para modificar a Lei 16.898, que rege o crédito consignado para servidores públicos. O projeto previa um aumento da margem facultativa de 35% para 45%, com a reserva de 10% exclusivamente para instituições que operassem com cartão de benefícios. Em 2024, o governador Ronaldo Caiado encaminhou à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) outra mudança, elevando o limite de parcelamento dos consignados de 96 para 144 meses.
O documento que formalizou essa última alteração, enviado à Alego, partiu da Casa Civil e ostenta a assinatura do governador. A justificativa oficial do governo era a ampliação do acesso dos servidores ao crédito consignado, uma medida que, no contexto atual da investigação, levanta questionamentos sobre a transparência e os reais beneficiários dessas mudanças.
Impacto e desdobramentos da investigação
A revelação da “fábrica de documentos” no Banco Master e sua conexão com o CredCesta e as políticas públicas em Goiás tem implicações vastas. Para os servidores públicos, o uso de dados reais em contratos forjados representa um risco iminente de endividamento indevido e comprometimento de sua saúde financeira. A integridade do sistema financeiro também é posta à prova, com a simulação de bilhões em créditos podendo gerar instabilidade e desconfiança.
A investigação da Polícia Federal continua, e os próximos passos devem incluir aprofundamento na identificação dos responsáveis, a análise de todos os documentos apreendidos e a apuração de possíveis cumplicidades. O caso sublinha a importância da vigilância regulatória e da transparência nas relações entre instituições financeiras e o poder público, especialmente em operações que envolvem recursos e dados de cidadãos.
Para entender mais sobre as regulamentações do crédito consignado e as diretrizes do sistema financeiro nacional, consulte as informações do Banco Central do Brasil.
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