Morte de grávida de gêmeos em Goiás levanta questionamentos sobre atendimento hospitalar

A morte de Adriana Inácio Silva, uma mulher de 43 anos que esperava gêmeos, em Porangatu, na região norte de Goiás, após buscar atendimento médico, acendeu um alerta e motivou a abertura de uma sindicância administrativa. A tragédia, que culminou no falecimento de Adriana e de um dos bebês, enquanto o outro luta pela vida na UTI neonatal, levanta sérias questões sobre os protocolos de atendimento e a detecção precoce de complicações graves na gestação.
A família de Adriana, por meio de sua filha Jéssica Karolayne, relata uma sequência de eventos que começou com sintomas preocupantes e um desfecho lamentável, que agora é objeto de investigação pelas autoridades de saúde.
A busca por atendimento e o desfecho trágico em Porangatu
Os primeiros sinais de que algo não estava bem surgiram na terça-feira (8), quando Adriana Inácio Silva procurou o hospital municipal de Porangatu. Ela apresentava dores e enjoo, sintomas que, segundo a filha Jéssica Karolayne, levaram à suspeita inicial de uma infecção urinária. Após ser medicada, Adriana recebeu alta, um procedimento que agora está sob escrutínio.
No entanto, a melhora não veio. Mais tarde, no mesmo dia, Adriana retornou à unidade de saúde com os mesmos sintomas e, mais alarmante, alegando não sentir os bebês. Diante do agravamento do quadro, foi decidida sua transferência para o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), uma unidade de maior complexidade, onde a situação se revelaria ainda mais crítica.
Complicações graves e a luta pela vida dos bebês
Adriana chegou ao HCN em estado grave, necessitando de intervenção imediata. Foi encaminhada ao Centro Obstétrico para uma cesariana de emergência, onde, infelizmente, um dos gêmeos já estava sem vida. O segundo bebê foi retirado com vida, mas em condição igualmente grave, sendo prontamente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde permanece lutando pela sobrevivência, conforme informações da família.
Após o procedimento, Adriana foi internada na UTI, mas, apesar dos esforços da equipe médica, não resistiu e veio a óbito na quinta-feira (10), dois dias após sua transferência. A filha Jéssica Karolayne informou que a causa da morte foi atribuída a uma pré-eclâmpsia e à síndrome de HELLP. A pré-eclâmpsia é uma condição grave caracterizada por pressão alta durante a gravidez, que pode evoluir para complicações sérias. A síndrome de HELLP é uma variante rara e ainda mais grave, que afeta o fígado e as plaquetas, além de causar a destruição de glóbulos vermelhos, representando um risco iminente à vida da mãe e do bebê.
Investigação e busca por respostas sobre o atendimento
Diante da gravidade e da sequência dos fatos, a Secretaria Municipal de Saúde de Porangatu manifestou seu pesar e solidarizou-se com a família. Em nota oficial, a secretaria informou a instauração de uma sindicância administrativa para apurar detalhadamente as circunstâncias do atendimento prestado a Adriana no hospital municipal e verificar eventuais responsabilidades. Este tipo de investigação é crucial para garantir a transparência e aprimorar os serviços de saúde, especialmente em casos de mortalidade materna.
A secretaria solicitou formalmente ao Instituto Alcance, responsável pela gestão do Hospital Municipal, todos os esclarecimentos, registros e documentos necessários para a apuração completa dos fatos. O processo será acompanhado de perto, com análise técnica e criteriosa das informações, e medidas cabíveis serão adotadas ao final da sindicância. O corpo de Adriana foi sepultado na sexta-feira (11), no Cemitério Espírito Santo, em Porangatu, deixando a família em busca de respostas e justiça.
A morte de Adriana Inácio Silva ressalta a importância vital do diagnóstico rápido e preciso de complicações na gravidez, como a pré-eclâmpsia e a síndrome de HELLP, que podem ter desfechos fatais se não tratadas a tempo. O Parlamento continuará acompanhando este caso e outros temas relevantes para a saúde pública e a qualidade dos serviços oferecidos à população, reforçando nosso compromisso com a informação contextualizada e de qualidade.




