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Mario Frias promete entregar documentos em investigação sobre filme Dark Horse

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) declarou na última quinta-feira (10) que cooperará integralmente com a Polícia Federal (PF) nas investigações que apuram o financiamento de Dark Horse, um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, no qual Frias atua como produtor-executivo. Alvo de mandados de busca e apreensão em sua residência pela manhã, o parlamentar assegurou que entregará todos os documentos solicitados pela Justiça.

A ação da PF faz parte da Operação Make Up, que investiga o possível uso irregular de emendas parlamentares e outros recursos públicos. Estes fundos teriam sido direcionados a entidades e empresas envolvidas na produção do longa-metragem, levantando questionamentos sobre a legalidade dos repasses.

Operação Make Up: o cerne da investigação

A Operação Make Up foi deflagrada pela Polícia Federal em colaboração com a Controladoria-Geral da União (CGU), com o objetivo de esclarecer a origem e a movimentação dos recursos empregados na produção de Dark Horse. A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na expedição de 49 mandados de busca e apreensão, cumpridos contra 22 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Uma das principais linhas de investigação busca determinar se recursos de uma emenda parlamentar de Frias, inicialmente destinada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), foram posteriormente transferidos para a Go Up Entertainment, produtora do filme. A auditoria da CGU já apontou indícios de irregularidades nas contratações realizadas com verbas do projeto Jovem Empreendedor, executado pelo ICB com R$ 1 milhão da emenda do deputado.

Dinheiro rastreado: emendas e transferências para Dark Horse

A PF e a CGU rastrearam uma série de transações financeiras que ligam as emendas parlamentares ao filme. O Instituto Conhecer Brasil (ICB) efetuou pagamentos de R$ 700 mil a duas empresas. Em seguida, a NTT Brasil, que possui ligações com o mesmo grupo empresarial, transferiu R$ 750 mil para a Go Up Entertainment. A proximidade dos valores, as relações entre as empresas e a sequência das transações são consideradas relevantes pelos investigadores, embora ainda não se tenha estabelecido que o valor recebido pela produtora seja diretamente proveniente da emenda.

Além disso, a análise financeira revelou transferências de R$ 645,4 mil realizadas pelo próprio Mario Frias à Go Up em um período inferior a 60 dias. Somados aos R$ 750 mil enviados pela NTT Brasil, os repasses à produtora totalizaram quase R$ 1,4 milhão. A origem dos recursos transferidos pessoalmente pelo parlamentar é outro ponto crucial que os investigadores buscam esclarecer.

A defesa de Mario Frias e a transparência dos recursos

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Mario Frias defendeu-se, argumentando que os recursos das emendas parlamentares não transitam diretamente pelas mãos dos deputados. Segundo ele, os valores são repassados do Tesouro para o órgão executor, que previamente aprova um plano de trabalho e é responsável pela fiscalização da prestação de contas. As emendas parlamentares são mecanismos pelos quais os congressistas podem influenciar a destinação de parte do orçamento público para obras e projetos em seus estados ou municípios.

O deputado afirmou que os repasses sob investigação foram destinados a projetos sociais legítimos: um projeto esportivo e outro de letramento digital, com o objetivo de oferecer oportunidades a crianças, jovens e adolescentes. Ele enfatizou que se tratam de “emenda pública, registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no Portal da Transparência”, buscando reforçar a legalidade e a visibilidade das operações.

Críticas à apuração e expectativas políticas

Mario Frias relatou não ter tido acesso aos autos do inquérito e criticou a Corregedoria-Geral da União pela condução da apuração. Ele sugeriu que a investigação poderia ser resolvida com a apresentação de documentos, sem a necessidade de uma operação policial, especialmente em um ano eleitoral. Para o deputado, a ação seria uma “cortina de fumaça” com motivações políticas.

Associando a operação ao período eleitoral, Frias expressou a expectativa de que a investigação seja arquivada. Ele reiterou seu compromisso em colaborar com todas as solicitações, afirmando: “Vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda, representando São Paulo e apoiando o meu presidente Flávio Bolsonaro.” A fala do deputado sinaliza a dimensão política do caso, que se desenrola em um contexto de pré-campanha.

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