Saúde

Saúde ocular: entenda a frequência ideal de consultas com oftalmologista

A manutenção da saúde dos olhos exige mais do que apenas cuidados pontuais quando um desconforto surge. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) lançou, nesta quinta-feira (10), um guia definitivo que estabelece a periodicidade ideal para consultas oftalmológicas, levando em conta fatores como idade, histórico familiar e a presença de doenças crônicas. O documento foi apresentado durante o 70º Congresso da especialidade, realizado em Salvador.

A entidade reforça que o acompanhamento médico regular é a única estratégia eficaz para o diagnóstico precoce de enfermidades que, muitas vezes, evoluem de forma silenciosa. Em muitos casos, quando o paciente finalmente percebe uma alteração na visão, a lesão já pode ser irreversível. Por isso, o CBO enfatiza que a consulta periódica deve ser encarada como um pilar essencial do bem-estar geral, e não apenas como um recurso para trocar o grau dos óculos.

O papel da idade no acompanhamento preventivo

A rotina de exames começa logo nos primeiros dias de vida. O teste do reflexo vermelho, realizado pelo pediatra ainda na maternidade, é o primeiro passo para identificar condições congênitas graves, como catarata e glaucoma. Nos três primeiros anos de vida, o acompanhamento continua com foco no desenvolvimento visual e no alinhamento ocular, sendo recomendada uma consulta completa entre os 6 e 12 meses de idade.

À medida que a criança cresce, a atenção se volta para o desempenho escolar. Entre os 3 e 5 anos, o exame oftalmológico completo — que inclui a refração sob cicloplegia para medir o grau real — é fundamental antes da alfabetização. Já na adolescência, o monitoramento ganha importância redobrada, dado que este é o período de maior incidência e progressão da miopia entre estudantes.

Para os adultos, a recomendação é manter avaliações periódicas mesmo na ausência de sintomas. A partir dos 40 anos, a frequência deve se tornar anual, acompanhando o surgimento natural da presbiopia, a popular “vista cansada”, e o aumento da prevalência de doenças como o glaucoma. No caso dos idosos, o acompanhamento anual é indispensável para monitorar condições como a catarata senil e a degeneração macular, que impactam significativamente a qualidade de vida nessa etapa da vida.

Doenças crônicas e fatores de risco

Pacientes com condições crônicas ou histórico familiar de doenças oculares precisam de um cronograma de consultas mais rigoroso, definido individualmente pelo médico. O diabetes, por exemplo, é um dos fatores de maior preocupação: cerca de 50% dos pacientes desenvolvem algum grau de retinopatia diabética, e o risco de cegueira para esses indivíduos é quase 30 vezes maior do que para a população geral. Nesses casos, o exame de fundo de olho com pupilas dilatadas deve ser realizado desde o diagnóstico da doença.

Outros fatores, como o uso prolongado de corticoides, o histórico familiar de glaucoma e o uso de lentes de contato, também exigem vigilância constante. Além disso, o CBO alerta para a necessidade de atenção por parte de usuários de medicações injetáveis para emagrecimento, que têm sido estudadas por sua possível associação com neuropatias ópticas. O uso de tabaco e a presença de doenças autoimunes são outros elementos que devem ser comunicados ao especialista para ajustar a periodicidade do acompanhamento.

A importância do ambiente e da qualificação profissional

O CBO ressalta que o cuidado com a visão deve ser realizado exclusivamente por profissionais habilitados e em locais que cumpram as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A estrutura física e a qualidade dos equipamentos são determinantes para a precisão dos diagnósticos. O conselho estima que existam cerca de 1,5 milhão de pessoas cegas no Brasil, um número que tende a crescer com o envelhecimento populacional, tornando a prevenção e o diagnóstico precoce as armas mais poderosas contra a cegueira evitável.

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