Goiás

Estudantes com autismo exploram biodiversidade do Cerrado em parque de Goiás

Em uma iniciativa que une educação ambiental e inclusão social, um grupo de 45 estudantes da rede pública de Goianápolis visitou o Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco (Peamp), em Goiás. A ação, realizada na segunda-feira (31/08), foi voltada para crianças e adolescentes diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e deficiência auditiva, com idades entre 4 e 17 anos.

Educação ambiental na prática e contato com a natureza

A atividade, organizada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), buscou romper barreiras no aprendizado de alunos atípicos. Antes da imersão na mata, os jovens participaram de uma oficina de gesso, onde criaram placas com moldes de pegadas de animais típicos do bioma Cerrado, permitindo uma conexão tátil com a fauna local.

Após a atividade teórica, o grupo percorreu a Trilha do Peba. Com 700 metros de extensão, o percurso é caracterizado por ser sombreado e exigir esforço físico mínimo, tornando-se ideal para a proposta de acessibilidade. Durante a caminhada, os estudantes utilizaram binóculos para observar pássaros e frutos, transformando a teoria em uma experiência sensorial direta.

Impacto da inclusão em unidades de conservação

Para Taísa Pires, coordenadora do Centro Municipal de Apoio à Inclusão (CMAI) Lauanny de Lima Brito e mãe de um aluno autista, a experiência vai além do lazer. Ela destaca que o ensino prático é essencial para o desenvolvimento de crianças neurodivergentes, que muitas vezes enfrentam dificuldades em processos de aprendizagem puramente abstratos ou teóricos.

O Parque Estadual Altamiro de Moura Pacheco, que abrange uma área de 3,1 mil hectares entre Goianápolis, Nerópolis e Goiânia, é um território de preservação integral. Além da fauna e flora, o local abriga sítios arqueológicos que preservam vestígios de povos indígenas da tradição Aratu, reforçando a importância histórica da unidade para o estado.

Programa Meu Parque: estratégia de conservação

A visita integrou o programa Meu Parque, uma política pública estadual que visa desmistificar a ideia de que unidades de conservação são espaços isolados ou intocáveis. Segundo Mariane Guedes, coordenadora da iniciativa, o objetivo é fomentar o sentimento de pertencimento da população em relação ao meio ambiente.

Com um investimento previsto de R$ 14,4 milhões para o ciclo 2025–2026, o governo estadual busca estruturar metodologias de visitação que sejam, de fato, inclusivas. A gestão do parque reforça que grupos interessados em realizar atividades similares podem solicitar agendamento através do formulário oficial de visitação ou pelo e-mail peamp.meioambiente@goias.gov.br.

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