Vanderlan Cardoso defende fim da escala 6×1 e propõe modernização da CLT

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou um novo capítulo com o posicionamento do senador Vanderlan Cardoso (PSD). Durante a análise da PEC 221/2019 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, realizada nesta quarta-feira (2/9), o parlamentar manifestou apoio ao fim da escala 6×1, medida que tem mobilizado intensas discussões entre trabalhadores, empresários e legisladores em todo o país.
Experiência empresarial como base para o debate
Ao justificar seu posicionamento, o senador recorreu à sua trajetória como empresário, setor em que atua há 34 anos. Vanderlan destacou que, em seus próprios empreendimentos, a transição para uma jornada de segunda a sexta-feira já é uma realidade consolidada há cinco anos. Segundo o parlamentar, a medida abrange mais de 2 mil funcionários e foi implementada sem causar prejuízos financeiros aos colaboradores.
Para o senador, o exemplo prático de suas empresas demonstra que é possível conciliar o bem-estar do trabalhador com a manutenção da produtividade. Ele ressaltou que, diante do atual cenário de escassez de mão de obra qualificada no mercado brasileiro, o investimento em capacitação profissional é um caminho indispensável para que as empresas mantenham sua competitividade mesmo com jornadas reduzidas.
Proposta de flexibilização da legislação trabalhista
Além de apoiar o fim da escala 6×1, Vanderlan Cardoso defendeu uma reforma mais ampla na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O senador argumenta que a legislação, em vigor desde 1943, necessita de uma atualização que acompanhe as novas dinâmicas do mercado global. A proposta central do parlamentar é a criação de diferentes modalidades de contratação que ofereçam mais autonomia para ambas as partes.
O senador sugeriu a implementação do pagamento por hora trabalhada como uma alternativa viável, desde que respeitado o limite semanal de 40 horas. “Precisamos modernizar e flexibilizar a CLT, dando opções tanto ao trabalhador quanto ao empregador”, afirmou durante a sessão. A ideia é que o sistema ofereça flexibilidade sem retirar direitos fundamentais, permitindo que o mercado se adapte às necessidades específicas de cada setor da economia.
Impactos da PEC 221/2019 no cenário nacional
A PEC 221/2019, que já passou pelo crivo da Câmara dos Deputados, propõe uma mudança gradual no regime de trabalho. O texto prevê a garantia de dois dias de repouso semanal remunerado e a redução progressiva da carga horária máxima. Inicialmente, a jornada cairia de 44 para 42 horas semanais, 60 dias após a promulgação, atingindo o patamar de 40 horas após o período de 12 meses.
A tramitação da matéria no Senado é acompanhada de perto por centrais sindicais e entidades patronais, que divergem sobre os impactos econômicos da redução da jornada. Enquanto defensores apontam melhorias na saúde mental e na qualidade de vida do trabalhador, setores do empresariado alertam para a necessidade de adaptação operacional. O debate segue como um dos temas centrais na pauta legislativa, refletindo a busca por um equilíbrio entre produtividade e direitos sociais no Brasil.
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