Inverno intensifica riscos de crises de asma e exige cuidados preventivos
A chegada do inverno, com sua característica queda nas temperaturas, frequentemente traz consigo uma série de desafios para a saúde pública, especialmente para indivíduos que convivem com doenças respiratórias crônicas. Entre elas, a asma se destaca como uma condição que exige atenção redobrada durante os meses mais frios do ano. Não é apenas o frio o vilão; uma combinação de fatores ambientais e comportamentais cria um cenário propício para o agravamento dos sintomas e o desencadeamento de crises, impactando significativamente a qualidade de vida de milhões de brasileiros.
Este período é particularmente crítico para crianças e adolescentes, que representam a maioria das internações hospitalares relacionadas à asma. A necessidade de manter janelas fechadas para combater o frio, o aumento da circulação de vírus respiratórios e o contato com itens guardados por longos períodos, como cobertores e casacos, são apenas alguns dos gatilhos que podem transformar o inverno em um período de grande vulnerabilidade para os asmáticos. Especialistas alertam para a importância de manter o tratamento contínuo e adotar medidas preventivas eficazes para controlar a inflamação e evitar complicações.
O inverno e o aumento das crises de asma
A percepção comum de que o frio é o principal causador das crises de asma é, na verdade, um equívoco. Conforme explica Emilio Pizzichini, coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), o que realmente agrava a condição no inverno é a maior incidência de viroses. A intensa circulação de vírus como Influenza, COVID-19 e VSR no ambiente leva a infecções nas vias aéreas que, em um organismo asmático não controlado, podem desencadear uma resposta inflamatória exacerbada.
“Se a asma não está bem tratada, bem controlada, o resfriado ou a virose adicionam mais uma inflamação na via aérea da pessoa, nos brônquios, e ela pode ter uma crise”, pontua Pizzichini. Essa inflamação adicional nos brônquios, já cronicamente inflamados em pessoas com asma, resulta em estreitamento das vias aéreas, dificuldade para respirar, tosse e chiado no peito, característicos de uma crise asmática. A vulnerabilidade é ainda maior para os cerca de 20 milhões de asmáticos no Brasil, que enfrentam, em média, uma ou duas infecções respiratórias anualmente.
Estratégias de prevenção e cuidados essenciais
Para minimizar os riscos e proteger os asmáticos durante o inverno, a adoção de um plano de cuidados abrangente é fundamental. O tratamento medicamentoso contínuo da asma, conforme prescrição médica, deve ser mantido rigorosamente durante todo o ano, e não apenas nos períodos de crise. A medicação preventiva atua controlando a inflamação crônica das vias aéreas, tornando o paciente menos suscetível aos gatilhos externos.
Além do tratamento farmacológico, a prevenção de infecções virais desempenha um papel crucial. A imunização contra viroses respiratórias, incluindo as vacinas contra Influenza, COVID-19 e VSR (quando indicada), são ferramentas poderosas para reduzir o risco de inflamações graves. “Quando a pessoa usa a vacina, diminui o risco de ter um agravamento da inflamação da asma, ter uma crise e ser hospitalizada”, reforça o Dr. Pizzichini. O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, do Departamento Científico de Asma da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), também destaca a importância da vacina pneumocócica, que protege contra infecções bacterianas que podem complicar quadros virais.
Ambiente doméstico e hábitos que fazem a diferença
O ambiente em que o asmático vive tem um impacto direto na frequência e intensidade das crises. A pneumologista Marcela Marques, do Atendimento Multiassistencial de Saúde da Umane, enfatiza a necessidade de manter a casa bem arejada, com a entrada de luz solar, e livre de mofo ou umidade, que são potentes alérgenos. Cortinas devem ser limpas regularmente, e o acúmulo de brinquedos, especialmente bichos de pelúcia, no quarto de crianças asmáticas deve ser evitado, pois podem reter poeira e ácaros.
A escolha de cobertores também merece atenção; edredons são preferíveis a cobertores mais felpudos, que acumulam mais poeira. Para a limpeza da casa, a recomendação é usar um pano úmido com água ou aspirador de pó, em vez de vassouras, que levantam a poeira e dispersam alérgenos no ar. Um dos cuidados mais críticos é evitar a exposição ao fumo passivo, seja de cigarro comum, eletrônico ou narguilé. “O fumante passivo é um dos piores aspectos em relação às crises de asma”, alerta a Dra. Marcela, sublinhando que a fumaça irrita as vias aéreas e agrava a inflamação.
A aglomeração em ambientes fechados no inverno facilita a transmissão de vírus. Por isso, o Dr. Giavina-Bianchi recomenda que os asmáticos evitem o contato próximo com indivíduos resfriados ou gripados. O distanciamento social e o uso de máscaras, práticas que se mostraram eficazes durante a pandemia de COVID-19, continuam sendo medidas preventivas valiosas contra a propagação de diversos vírus respiratórios, incluindo rinovírus e influenza. Para mais informações sobre cuidados respiratórios, consulte fontes confiáveis como a Agência Brasil.
O desafio das internações e a importância da atenção primária
Os dados do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), compilados pela organização Umane, revelam um cenário preocupante: crianças e adolescentes na faixa etária de 0 a 14 anos são desproporcionalmente afetados. Em julho de 2024, este grupo respondeu por impressionantes 70,5% das internações por asma, totalizando 4.034 casos – quase o dobro dos 2.108 registrados em janeiro do mesmo ano. Ao longo de 2024, essa faixa etária foi responsável por 73,7% das 52.087 internações por asma no Brasil.
Essa estatística sublinha a urgência de uma atenção primária mais eficaz. Emilio Pizzichini aponta para a carência de especialistas suficientes para atender a vasta população asmática do país. Ele enfatiza que infecções respiratórias, frequentemente precursoras de crises, devem ser tratadas na atenção primária. Muitas vezes, em crianças, sintomas como o chiado não são prontamente associados à asma, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
A pneumologista Marcela Marques lamenta a falta de orientação dos serviços de saúde às famílias, que muitas vezes não recebem as informações necessárias para iniciar o tratamento preventivo logo na primeira internação. Ela argumenta que, com a devida orientação sobre os gatilhos das crises, como evitá-las e o que fazer quando elas começam, é possível reduzir significativamente as idas ao pronto-socorro. Um plano de crise bem definido, comunicado à família, empodera os cuidadores a agir rapidamente e buscar ajuda médica apenas quando estritamente necessário, evitando o agravamento do quadro e novas hospitalizações.
Manter-se informado sobre as melhores práticas de saúde é um passo crucial para garantir o bem-estar de toda a família, especialmente em períodos de maior vulnerabilidade como o inverno. O Parlamento está comprometido em trazer a você as informações mais relevantes e apuradas, com análises aprofundadas e contexto essencial para sua vida. Continue acompanhando nosso portal para ter acesso a um conteúdo diversificado e de qualidade, que aborda os temas que realmente importam para a sociedade brasileira.




