Adolescente com autismo e esquizofrenia deixa hospital em Luziânia após um ano de internação

Um novo capítulo após um ano de isolamento hospitalar
Após quase um ano de internação no Hospital Municipal do Jardim Ingá, em Luziânia, uma adolescente de 17 anos inicia agora um processo de transição para um abrigo municipal. O caso, que chama a atenção pela complexidade do acolhimento de jovens com transtornos mentais, marca o fim de um período prolongado em ambiente hospitalar, superando o limite legal de seis meses previsto para internações psiquiátricas estruturadas.
A jovem, diagnosticada com autismo e esquizofrenia, foi admitida na unidade em junho de 2025, logo após o falecimento de sua avó materna, que era sua principal cuidadora. Sem o suporte familiar próximo — com a mãe declarando impossibilidade de criação e o paradeiro do pai desconhecido —, a adolescente enfrentou um longo caminho de adaptação institucional, passando por diferentes instâncias de proteção antes de chegar ao hospital em Luziânia.
Desafios no tratamento e a evolução clínica
O quadro inicial da paciente ao chegar ao hospital era de extrema vulnerabilidade. Segundo o diretor-geral da unidade, Fernando Neves, a jovem apresentava dificuldades severas de comunicação e comportamentos agressivos, o que exigiu o uso de contenção física e química no período inicial. A mudança de cenário foi possível graças a uma força-tarefa multidisciplinar envolvendo a saúde e a assistência social do município.
Com o passar dos meses, o ambiente hospitalar deixou de ser apenas um local de procedimentos para se tornar um espaço de convivência. A equipe médica, em um esforço de humanização, promoveu atividades diárias que permitiram à adolescente desenvolver laços afetivos. O resultado dessa abordagem foi uma melhora significativa na interação social, com a jovem demonstrando capacidade de conexão emocional, algo que, segundo os profissionais, é fundamental para o sucesso de sua reintegração.
Transição para o abrigo e o desafio da convivência
Atualmente, a adolescente cumpre uma agenda de adaptação, frequentando o abrigo municipal às segundas, quartas e sextas-feiras. O objetivo é que, até a segunda semana de julho, a mudança definitiva ocorra de forma gradual e menos traumática. A legislação brasileira, que limita o tempo de internação hospitalar para evitar a institucionalização prolongada, foi flexibilizada neste caso por meio de um entendimento entre as secretarias locais, garantindo que ela não fosse desassistida antes de ter uma estrutura adequada pronta.
O desafio agora reside na continuidade desse suporte emocional no novo ambiente. Como destacou a direção do hospital, a jovem responde positivamente quando se sente acolhida, o que reforça a necessidade de que a equipe do abrigo estabeleça vínculos de confiança. O caso evidencia as lacunas na rede de proteção para jovens com necessidades de saúde mental complexas e a importância da articulação entre diferentes esferas do poder público.
Compromisso com a informação
O Parlamento mantém seu compromisso em acompanhar casos que envolvem a rede de proteção social e a saúde pública, trazendo luz a histórias que refletem os desafios enfrentados por famílias e instituições no Brasil. Para continuar recebendo reportagens aprofundadas sobre temas relevantes e atualizados, siga acompanhando nossas publicações diárias.




