Da indústria farmacêutica ao campo: casal resgata tradição familiar com queijos artesanais

Uma mudança de vida em busca das raízes
A trajetória de Ademar e Marisa é um exemplo de como o desejo de reconexão com as origens pode transformar carreiras consolidadas. Após décadas atuando no setor farmacêutico, onde geriam uma distribuidora de medicamentos em Passos, no sudoeste de Minas Gerais, o casal tomou uma decisão radical: vender o negócio e retornar à fazenda da família, localizada em São João Batista do Glória, nas proximidades da icônica Serra da Canastra.
O movimento não foi apenas uma transição profissional, mas um resgate afetivo. A propriedade, que pertenceu aos avós paternos de Ademar, tornou-se o palco de um novo capítulo. Para preparar o terreno, o casal investiu na reforma da sede, utilizando técnicas de reaproveitamento de madeira de antigas pontes e estruturas que já faziam parte da paisagem rural da região, mantendo a autenticidade e a história do local.
A produção artesanal na Serra da Canastra
Com a estrutura pronta, o foco voltou-se para a queijaria. Respeitando os métodos tradicionais que definem a identidade gastronômica mineira, o casal implementou uma rotina de produção que hoje processa cerca de 230 litros de leite diariamente. O processo valoriza o uso do pingo, um fermento natural essencial para a maturação e o sabor característico dos queijos da região.
A produção é diversificada, abrangendo desde queijos frescos até versões curadas, que exigem paciência e conhecimento técnico. O respeito às tradições passadas entre gerações é o pilar central da iniciativa, garantindo que o produto final carregue o selo de qualidade que tornou a Canastra uma referência nacional e internacional na produção de queijos artesanais.
Reconhecimento e demanda crescente
O sucesso da empreitada superou as expectativas iniciais. A qualidade do queijo produzido na fazenda conquistou o paladar de consumidores exigentes em grandes centros urbanos, como Belo Horizonte e São Paulo. Segundo relatos veiculados pelo Canal Vida no Campo, a demanda por vezes ultrapassa a capacidade produtiva, evidenciando o valor que o mercado atual atribui a produtos com procedência, história e métodos de fabricação artesanais.
Para Ademar e Marisa, o retorno ao campo consolidou-se como uma forma de preservar o patrimônio cultural da família e fortalecer a economia rural mineira. A iniciativa demonstra que, mesmo em um mercado globalizado, há um espaço robusto e crescente para o artesanato alimentar, desde que fundamentado na qualidade e no respeito aos costumes locais.
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