SUS avalia programa nacional de rastreamento para câncer colorretal: uma esperança na luta contra a doença
Em um passo potencialmente transformador para a saúde pública brasileira, o **Sistema Único de Saúde (SUS)** está à beira de implementar um programa abrangente de **rastreamento para o câncer colorretal**, uma doença que afeta o intestino grosso e o reto e cujos números de casos e óbitos têm crescido de forma alarmante no país. Uma diretriz detalhada, elaborada por um grupo de especialistas, já recebeu parecer favorável da **Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)**, sinalizando um avanço crucial na prevenção e detecção precoce.
A iniciativa surge como uma resposta urgente à crescente incidência do **câncer colorretal**, que, conforme projeções do Instituto Nacional do Câncer (Inca), pode levar a um aumento de quase três vezes nas mortes até 2030. Atualmente, a maioria dos pacientes só descobre a doença em estágios avançados, o que compromete drasticamente as chances de cura. O novo programa visa mudar esse cenário, oferecendo uma janela de oportunidade para identificar lesões pré-cancerígenas e a doença em sua fase inicial, quando o tratamento é mais eficaz.
O Câncer Colorretal em Ascensão no Brasil
O **câncer colorretal** é o terceiro tipo de câncer mais comum entre homens e o segundo entre mulheres no Brasil, excluindo o câncer de pele não melanoma. Sua prevalência está intimamente ligada a fatores como o envelhecimento da população, a adoção de estilos de vida ocidentais – caracterizados por dietas ricas em gorduras e alimentos processados, sedentarismo e consumo de álcool e tabaco – e a baixa adesão a programas de **rastreamento**. Muitos casos são detectados tardiamente porque a doença, em suas fases iniciais, é frequentemente **assintomática** ou apresenta sintomas inespecíficos, como a presença de **sangue oculto nas fezes**, que passa despercebida.
Arn Migowski, epidemiologista do Inca e membro do grupo de trabalho da Conitec, ressalta a importância de uma abordagem proativa. “Ao contrário de doenças como o câncer de próstata ou de mama, onde infelizmente só conseguimos detectar a doença no início, no caso do **câncer colorretal**, você pode detectar **lesões pré-cancerosas**. Ou seja, o objetivo principal é diminuir a **mortalidade**, mas a gente pode conseguir também diminuir um pouco o número de novos casos”, explica Migowski, apontando para o potencial preventivo singular desse tipo de rastreamento.
Detalhes da Proposta de Rastreamento no SUS
A diretriz elaborada preconiza que todas as pessoas **entre 50 e 75 anos**, sem fatores de risco conhecidos ou sintomas, realizem o **teste imunoquímico** para a identificação de **sangue oculto nas fezes** a cada dois anos. Este exame simples e não invasivo é a primeira linha de detecção. Em caso de resultado positivo, o paciente será encaminhado para uma **colonoscopia**, que permitirá visualizar o interior do intestino grosso e do reto, identificar a causa do sangramento e, se necessário, remover **pólipos adenomatosos** – protuberâncias que se assemelham a pequenos cogumelos e que podem evoluir para câncer.
A médica Renata Fróes, presidente da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro, enfatiza que a retirada desses pólipos durante a **colonoscopia** é fundamental para **impedir a progressão para o câncer**. Ela também alerta para a natureza silenciosa da doença, reforçando que o **sangue oculto** é, muitas vezes, o único sinal precoce detectável por exames, já que o sangramento visível costuma ser um indicativo de estágios mais avançados.
Próximos Passos e Desafios da Implementação
Com o parecer favorável da Conitec, o processo avança para uma **consulta pública**, onde a sociedade civil, profissionais de saúde e demais interessados poderão apresentar suas contribuições. Após essa etapa, a Comissão tomará a decisão definitiva sobre a incorporação da tecnologia ao **SUS**. A palavra final caberá ao **Ministério da Saúde**, cujos representantes na Conitec já demonstraram apoio à iniciativa.
A implementação, no entanto, será um processo complexo. O grupo de trabalho planeja um modelo **escalonado**, começando em algumas regiões e expandindo progressivamente para todo o país. Essa abordagem é crucial para que o **SUS** consiga absorver a nova demanda sem sobrecarregar o sistema e sem comprometer o atendimento de pacientes sintomáticos, que requerem prioridade. Migowski salienta que “no modelo organizado, você convoca ativamente a pessoa que está na faixa etária, e depois disso, ela precisa fazer o seguimento, receber o resultado do exame, ser encaminhada para a colonoscopia, se precisar, passar por atendimento especializado. Todas essas questões têm que ser muito bem planejadas”.
Impacto na Saúde Pública e a Campanha Março Azul
A efetivação de um programa nacional de **rastreamento** representa um marco para a **saúde pública** brasileira. Além de reduzir a **mortalidade** e a incidência de **câncer colorretal**, a medida pode gerar uma economia significativa para o **SUS**, uma vez que o tratamento de casos avançados é muito mais custoso e complexo do que a detecção e remoção de lesões pré-cancerígenas. Mais importante, significa mais vidas salvas e uma melhor **qualidade de vida** para a população.
A discussão sobre o programa coincide com o **Março Azul**, campanha dedicada à conscientização sobre o **câncer colorretal**. É um momento oportuno para reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da atenção aos sinais de alerta. Embora o foco do rastreamento seja para pessoas assintomáticas, a Dra. Renata Fróes lembra que sintomas como mudança no ritmo intestinal, sangramento retal visível, dor abdominal persistente, perda de peso inexplicável e cansaço constante devem ser investigados urgentemente, pois podem indicar a presença da doença em estágio avançado.
A possível incorporação do **rastreamento para o câncer colorretal** no **SUS** representa um avanço estratégico na prevenção e combate a uma das doenças mais letais no Brasil. Com a combinação de tecnologia acessível, o engajamento de especialistas e a participação social na consulta pública, o país caminha para oferecer uma ferramenta poderosa na luta contra a **mortalidade** e a morbidade associadas a essa condição. Continue acompanhando O Parlamento para ficar por dentro dos desdobramentos dessa e de outras notícias que impactam diretamente a sua vida e a **saúde pública** do país, com informação relevante, atual e contextualizada.




