Saúde

Rio de Janeiro intensifica combate à dengue com nova vacina do Butantan e imuniza profissionais de saúde

O estado do **Rio de Janeiro** marca, a partir desta segunda-feira (23), um novo e crucial capítulo na sua perene batalha contra a **dengue**, uma das arboviroses que mais desafiam a **saúde pública** brasileira. A iniciativa consiste na distribuição e início da aplicação de uma nova **vacina** produzida pelo renomado **Instituto Butantan**. Coordenada pela **Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro** (SES-RJ), a estratégia inicial prioriza um grupo fundamental para a manutenção do sistema de saúde: os **profissionais de saúde** que atuam na linha de frente do **Sistema Único de Saúde** (**SUS**), especialmente aqueles ligados à **Atenção Primária à Saúde** (APS).

Esta primeira remessa, composta por 33.364 doses do imunizante, com 12.500 destinadas à capital, sinaliza um reforço estratégico na capacidade de resposta do estado. O foco nos trabalhadores da saúde reflete não apenas a preocupação com a proteção individual desses profissionais, que estão constantemente expostos ao risco de contaminação, mas também a necessidade de assegurar a continuidade dos serviços essenciais em meio a possíveis surtos. Médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais, farmacêuticos, agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, além de trabalhadores administrativos e de apoio, estão entre os contemplados nesta etapa.

A Nova Frente de Imunização: Vacina Butantan e seus Benefícios

A nova **vacina** do **Butantan**, que chega para complementar o arsenal de prevenção, possui a vantagem de ser de **dose única** e conferir proteção contra os quatro **sorotipos da dengue** conhecidos. Essa característica é particularmente relevante no contexto epidemiológico fluminense, onde os **sorotipos 1 e 2** são os mais prevalentes. A chegada de um imunizante com tal abrangência reforça a esperança de reduzir a incidência da doença e, consequentemente, a pressão sobre a rede hospitalar em momentos de pico.

Cenário Epidemiológico Fluminense: Alerta para Sorotipos e Dados Recentes

Embora os indicadores atuais de **dengue** no estado do **Rio de Janeiro** sejam considerados baixos – com 1.198 casos prováveis e 56 internações registradas até o último levantamento em 20 de fevereiro, sem óbitos confirmados –, a vigilância epidemiológica mantém o estado de alerta. Os dados do Centro de Inteligência em Saúde da secretaria também apontam para 41 casos prováveis de **chikungunya**, com cinco internações, e a ausência de casos confirmados de **zika** no território fluminense. Contudo, o período pós-Carnaval, com as chuvas intensas que antecederam a folia combinadas ao calor do verão, cria um cenário propício para a proliferação do **Aedes aegypti**, o vetor transmissor de todas essas arboviroses.

A Ameaça do Sorotipo 3 e a Vulnerabilidade Populacional

Uma das maiores preocupações das autoridades sanitárias é a possível reintrodução do **sorotipo 3** da **dengue**. Este sorotipo não circula no território fluminense desde 2007, o que torna a população altamente vulnerável, uma vez que a maioria dos moradores não teve contato prévio com essa variante e, portanto, não desenvolveu imunidade. A circulação de turistas, que aumenta significativamente no estado em períodos festivos e de férias, amplia o risco de introdução de novos sorotipos, exigindo uma vigilância constante e a intensificação das ações preventivas.

Estratégia Abrangente: Da Qdenga à Prevenção Comunitária

A chegada da nova **vacina** do **Butantan** complementa uma estratégia de imunização que já conta com a **vacina Qdenga**, de fabricação japonesa, disponibilizada pelo Ministério da Saúde desde 2023. No estado do **Rio de Janeiro**, mais de 758 mil doses da Qdenga já foram aplicadas, com um foco especial no público-alvo de 10 a 14 anos. Dentre essa faixa etária, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose, e 244 mil completaram o esquema vacinal, demonstrando a importância de abordagens multifacetadas no combate à **dengue**.

Além da imunização, a **prevenção** continua sendo um pilar fundamental. A recomendação é clara e contínua: cada morador deve dedicar ao menos dez minutos por semana para eliminar possíveis **criadouros** do **Aedes aegypti**. Medidas simples, como verificar a vedação da caixa d’água, limpar calhas, colocar areia nos pratos de plantas e descartar água acumulada em bandejas de geladeira e outros recipientes expostos, são cruciais. A alta capacidade reprodutiva do mosquito, acelerada pela alternância de calor e chuva no verão, faz com que os ovos eclodam rapidamente, reforçando a necessidade da mobilização cidadã.

O Papel Essencial da Vigilância e Diagnóstico

O estado também investe pesadamente na qualificação da rede assistencial. A **SES-RJ** tem promovido videoaulas e treinamentos, além de ter desenvolvido uma ferramenta digital pioneira que uniformiza o manejo clínico da **dengue** nas unidades de saúde, tecnologia que inclusive foi compartilhada com outros estados. O monitoramento da **dengue** é feito de forma contínua por meio do **MonitoraRJ**, uma plataforma que analisa atendimentos em UPAs, solicitações de leitos e taxa de positividade dos exames em tempo real, permitindo uma resposta ágil às mudanças epidemiológicas.

Complementando essa estrutura, o Laboratório Central Noel Nutels (**Lacen-RJ**) foi estrategicamente estruturado para realizar até 40 mil exames por mês. Essa capacidade de diagnóstico ampliada não se restringe à **dengue**, mas abrange também **zika**, **chikungunya** e a febre do Oropouche – uma arbovirose transmitida pelo maruim (Ceratopogonidae) e não pelo **Aedes aegypti**. Essa diversificação diagnóstica é vital para o controle de diferentes ameaças à **saúde pública** e para a tomada de decisões embasadas.

Os Desafios Climáticos e a Luta Contínua

Apesar dos esforços concentrados e da chegada de novas ferramentas, a luta contra a **dengue** é um desafio contínuo, influenciado por fatores climáticos e sociais. A **circulação de turistas** e as condições meteorológicas de calor e umidade exigem uma **vigilância** epidemiológica constante e uma **prevenção** ativa por parte de toda a sociedade. Com a chegada da nova **vacina**, o estado do **Rio de Janeiro** reforça sua **estratégia integrada** de imunização, **vigilância** e **prevenção**, buscando antecipar-se à temporada de outono e evitar a sobrecarga da rede de **saúde**.

É fundamental que a população compreenda seu papel ativo nesse combate, não apenas buscando a vacinação quando elegível, mas também mantendo as ações de **prevenção** em suas casas e comunidades. A união de esforços entre o poder público, os **profissionais de saúde** e a sociedade é o caminho para mitigar os impactos da **dengue** e proteger a vida dos fluminenses. Para acompanhar as últimas notícias sobre **saúde pública**, políticas de imunização e o cenário epidemiológico, continue navegando em O Parlamento, seu portal de informação relevante e contextualizada, comprometido em trazer as informações mais importantes para você.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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