Secretaria de Saúde de Goiânia desativa ferramenta de assinatura paga no Instagram após intervenção do MP

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia desativou a funcionalidade de “assinatura paga” em seu perfil oficial no Instagram, uma medida tomada após uma notificação do Ministério Público de Goiás (MPGO). O órgão fiscalizador havia concedido um prazo de dez dias para que a pasta apresentasse as providências adotadas em relação ao recurso, que permitia limitar o acesso a determinados conteúdos a usuários pagantes.
A situação, que gerou preocupação quanto à transparência e acessibilidade da informação pública, foi identificada pelo MPGO, que prontamente agiu para garantir que dados essenciais sobre saúde não fossem restritos à população. A SMS, por sua vez, alegou desconhecer que a ferramenta estava ativa em sua conta institucional, garantindo que o recurso foi imediatamente desabilitado.
Ação do Ministério Público e a defesa do acesso à informação
A apuração do caso teve início a partir de uma denúncia que questionava a presença da ferramenta de assinatura no perfil oficial da Secretaria de Saúde. O promotor de Justiça Flávio Cardoso Pereira, da 89ª Promotoria de Justiça de Goiânia, foi o responsável pela recomendação formal à pasta municipal.
Para o Ministério Público, a existência de um recurso que restringisse o acesso a vídeos, stories e outras publicações a assinantes mensais era incompatível com a natureza do serviço público. A premissa é clara: informações relacionadas à saúde pública devem ser universalmente acessíveis, sem qualquer barreira financeira, garantindo que todos os cidadãos tenham igualdade no acesso a dados vitais para o bem-estar coletivo.
A intervenção do MPGO reforça o papel fundamental do órgão como guardião dos direitos coletivos e fiscalizador da administração pública. Em um cenário onde a comunicação digital se tornou um canal primário para a divulgação de serviços e alertas de saúde, a garantia de acesso irrestrito é uma questão de transparência e equidade social.
Resposta da Secretaria de Saúde de Goiânia e medidas internas
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia esclareceu que a atual gestão não tinha conhecimento da ativação da funcionalidade “Assinaturas” do Instagram. A pasta afirmou que só foi alertada sobre a situação após o recebimento da Recomendação nº 05/2026 do Ministério Público de Goiás.
Após uma análise interna detalhada, a SMS verificou que, apesar da ferramenta estar habilitada, não houve publicação de conteúdo exclusivo, bloqueio de informações de interesse público ou qualquer tipo de monetização da conta. Essa constatação, embora tranquilizadora, não diminui a importância da desativação imediata do recurso para evitar futuras interpretações ou usos inadequados.
A Secretaria informou que, assim que tomou ciência do caso, desativou a funcionalidade e reforçou as orientações internas para que toda a comunicação oficial da pasta permaneça pública, gratuita e acessível a toda a população. Essa medida preventiva visa assegurar que a transparência e a universalidade da informação sejam pilares inegociáveis na comunicação institucional.
O impacto da comunicação digital na saúde pública
A era digital transformou a maneira como as instituições públicas interagem com os cidadãos. As redes sociais, como o Instagram, tornaram-se plataformas essenciais para a divulgação de campanhas de vacinação, alertas epidemiológicos, informações sobre serviços e programas de saúde. No entanto, essa facilidade de comunicação também impõe desafios e a necessidade de diretrizes claras.
A recomendação do MPGO à Secretaria de Saúde de Goiânia serve como um lembrete importante para todas as esferas do poder público sobre a responsabilidade inerente ao uso de canais digitais. A criação de diferenciações entre usuários, seja por conteúdo fechado ou listas restritas, pode comprometer a missão de informar e servir a todos de forma igualitária.
A garantia de que informações de interesse público, especialmente na área da saúde, estejam disponíveis sem custo ou restrição é crucial para a cidadania e para a eficácia das políticas públicas. O episódio em Goiânia destaca a vigilância necessária para que a tecnologia seja uma aliada na promoção da transparência e do acesso à informação, e não uma barreira.
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