Polícia Civil de Goiás prende advogada e falsa profissional por golpe de quitação de dívidas

Operação desarticula esquema de fraude em financiamentos
Uma operação da Polícia Civil de Goiás, denominada Operação Quitação Falsa, resultou na prisão de uma advogada e de uma mulher que se passava por profissional da área. As duas são suspeitas de orquestrar um esquema fraudulento que prometia a quitação de dívidas de financiamento de veículos, causando prejuízos financeiros significativos a diversos clientes. A investigação aponta que a prática criminosa ocorria de forma estruturada, utilizando a credibilidade da advocacia para enganar as vítimas.
Segundo o delegado Henrique Berocan, responsável pelo caso, a dinâmica do golpe envolvia a oferta de serviços de revisão de contratos. Após conquistar a confiança dos clientes, as suspeitas informavam falsamente que o banco teria liberado uma proposta vantajosa para a quitação total do débito. As vítimas, acreditando na legitimidade da transação, realizavam depósitos nas contas indicadas pelas investigadas, sem saber que o dinheiro nunca era repassado às instituições financeiras.
Modus operandi e a farsa da identidade
A investigação revelou que Keythlyn Evelyn Teixeira de Lima não possuía registro profissional, mas utilizava o token de uma advogada e cartões com símbolos da Justiça para conferir veracidade ao seu atendimento. A outra suspeita, Patrícia de Oliveira Santos, é advogada inscrita nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO). O delegado ressaltou que, após o pagamento dos boletos falsos, as vítimas permaneciam com as dívidas ativas e, em muitos casos, corriam o risco de sofrer busca e apreensão de seus veículos.
O prejuízo financeiro causado às vítimas identificadas até o momento é expressivo. Em apenas dois casos apurados pela polícia, os valores subtraídos somam cerca de R$ 60 mil, sendo R$ 40 mil de uma vítima e R$ 20 mil de outra. A Polícia Civil acredita que o número de pessoas lesadas possa aumentar à medida que novas denúncias surjam após a divulgação da operação. O delegado reforçou a orientação para que qualquer pessoa que tenha contratado os serviços das investigadas procure a delegacia e verifique a situação diretamente com o banco credor.
Histórico de atividades e desdobramentos
Os registros policiais indicam que o esquema não é recente. As investigações apontam indícios de atividades ilícitas desde 2020, com ocorrências registradas também em 2024, 2025 e 2026. Durante a operação, foram apreendidos documentos, dispositivos eletrônicos e anotações que serão fundamentais para mapear a extensão da rede criminosa e identificar outros possíveis envolvidos que auxiliavam no suporte administrativo e financeiro do negócio.
Em nota oficial, a OAB-GO informou que acompanha o cumprimento dos mandados por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), visando garantir o respeito às prerrogativas legais da advocacia. A instituição confirmou que apenas uma das citadas possui inscrição ativa e que o caso já foi encaminhado ao Tribunal de Ética e Disciplina. As defesas das suspeitas apresentaram versões distintas: enquanto a representação de Keythlyn alega que ela atuava apenas como funcionária, a defesa de Patrícia sustenta que os fatos se restringem a questões processuais. Para mais informações sobre este e outros desdobramentos, continue acompanhando o portal O Parlamento, seu compromisso diário com a notícia apurada e de qualidade.




