Pés rachados: por que o uso de lixas pode agravar o ressecamento da pele

O incômodo causado pelos pés rachados vai muito além de uma questão estética. Embora muitas pessoas recorram imediatamente a lixas ou pedras-pomes na tentativa de suavizar a pele endurecida, especialistas alertam que essa prática pode ser contraproducente. O tratamento eficaz para a região exige uma abordagem focada na restauração da barreira cutânea, e não apenas na remoção mecânica das camadas superficiais.
A ciência por trás do ressecamento e das fissuras
A pele dos calcanhares é naturalmente mais espessa, mas quando perde a capacidade de reter água e lipídios, torna-se menos elástica. Essa desidratação, somada à pressão constante exercida pelo peso do corpo, cria o cenário ideal para o surgimento de fissuras. Fatores ambientais, como o clima seco e o uso frequente de calçados abertos, além de hábitos como banhos muito quentes e longos períodos em pé, agravam o quadro.
Segundo a dermatologista Joana Petito Magnavita, é fundamental investigar a origem do problema. Embora o ressecamento simples seja a causa mais comum, fissuras recorrentes podem estar associadas a condições como dermatites, psoríase, micoses ou até mesmo desequilíbrios sistêmicos. Por isso, o diagnóstico profissional é o primeiro passo para um tratamento assertivo.
Por que evitar lixas e abrasivos
O uso excessivo de lixas, pedras abrasivas e, principalmente, lâminas, provoca microtraumas na pele. Em vez de resolver o problema, essa agressão pode desencadear sangramentos, inflamações e comprometer ainda mais a barreira de proteção natural da epiderme. Ao remover a camada superior de forma brusca, o corpo entende que precisa produzir ainda mais queratina para se proteger, o que pode tornar a pele ainda mais grossa a longo prazo.
A recomendação médica é substituir a abrasão pela hidratação profunda e contínua. O uso de cremes com ativos específicos, como ureia, glicerina, ácido lático, ceramidas ou petrolato, auxilia na retenção de água. A ureia, em concentrações específicas, atua tanto na hidratação quanto na redução do excesso de queratina, mas deve ser utilizada com cautela em casos de fissuras abertas ou inflamadas.
Quando buscar auxílio médico especializado
Nem todo ressecamento pode ser resolvido apenas com cremes hidratantes. Fissuras profundas, doloridas, com sinais de sangramento ou que não apresentam melhora após o início dos cuidados domiciliares exigem avaliação de um dermatologista. A presença de vermelhidão, inchaço, aumento da temperatura local ou secreção pode indicar um quadro infeccioso que demanda tratamento medicamentoso específico.
Grupos de risco, como pessoas com diabetes, neuropatias ou problemas vasculares, devem ter atenção redobrada. Nesses pacientes, pequenas rachaduras podem evoluir rapidamente para complicações graves, tornando o acompanhamento médico indispensável. Para saber mais sobre saúde da pele e outros temas relevantes para o seu dia a dia, continue acompanhando as reportagens de O Parlamento, seu portal de confiança para informações precisas e contextualizadas.
Para aprofundar seus conhecimentos sobre cuidados com a pele, consulte as diretrizes da Sociedade Brasileira de Dermatologia.



