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Césio-137: morre Lucimar das Neves, sobrevivente do maior acidente radiológico do Brasil

O falecimento de um sobrevivente histórico

Lucimar das Neves Ferreira, de 52 anos, foi encontrado morto em sua residência em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia, no último sábado (25). O falecimento do homem, que era irmão de Leide das Neves — um dos maiores símbolos da tragédia do Césio-137 —, foi confirmado pela família. Segundo o exame cadavérico solicitado pelos familiares, a causa da morte foi insuficiência respiratória aguda e broncopulmonar.

Odesson Ferreira, tio de Lucimar, relatou que o sobrinho vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos tempos. A notícia gerou comoção entre os membros da Associação de Vítimas do Césio-137. Marcelo Santos Neves, presidente da entidade, destacou que Lucimar chegou a apresentar episódios de desmaios em via pública e realizava acompanhamento médico, tendo sido inclusive atendido no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) em ocasiões anteriores.

Memórias da tragédia de 1987

Lucimar tinha apenas 14 anos quando o acidente radiológico, considerado o maior da história do Brasil, teve início em 13 de setembro de 1987. Na época, ele foi exposto a uma carga de radiação estimada em 1500 rads. Apesar da alta exposição, o tio de Lucimar afirmou que ele não carregava sequelas graves, apresentando apenas algumas cicatrizes de radiodermites. Por ser muito jovem na época, o organismo de Lucimar conseguiu passar por um processo de descontaminação relativamente rápido, segundo a avaliação familiar.

O acidente, que marcou profundamente a história de Goiás, começou quando dois catadores de material reciclável encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Ao removerem a cápsula, liberaram o cloreto de césio, um pó brilhante que encantou a população local, mas que escondia um perigo invisível e letal. O material foi disseminado por diversos pontos da cidade de Goiânia, contaminando centenas de pessoas.

O impacto social e o legado do Césio-137

A dimensão do desastre exigiu uma força-tarefa sem precedentes. O Governo de Goiás realizou um monitoramento rigoroso no Estádio Olímpico, avaliando mais de 112.800 pessoas. Destas, 249 foram confirmadas com algum grau de contaminação, sendo que 129 precisaram de acompanhamento médico permanente devido aos riscos à saúde. A tragédia resultou em quatro mortes imediatas decorrentes da Síndrome Aguda da Radiação (SAR), incluindo a pequena Leide das Neves, de apenas 6 anos, cujo sepultamento em um caixão de chumbo de 700 quilos tornou-se uma imagem icônica do luto nacional.

A morte de Lucimar das Neves Ferreira reacende a memória sobre os cuidados contínuos que as vítimas e sobreviventes ainda necessitam décadas após o acidente. O caso reforça a importância da vigilância em saúde pública e do suporte constante às famílias afetadas por desastres radiológicos. O corpo de Lucimar foi velado e sepultado no domingo (26), em uma cerimônia que reuniu familiares e conhecidos na região.

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