Fábrica histórica da Isover encerra produção em São Paulo após acordo ambiental

Após mais de sete décadas de operação ininterrupta, a unidade da Isover, situada no bairro de Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo, encerra suas atividades industriais. A fábrica, reconhecida pela produção de lã de vidro, marca o fim de um ciclo econômico relevante para a região, deixando um rastro de incertezas para colaboradores e parceiros comerciais que dependiam da estrutura produtiva local.
Acordo ambiental e encerramento das atividades
A decisão de interromper a fabricação de materiais para isolamento térmico e acústico é resultado direto de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a empresa, o Ministério Público e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O documento estabeleceu um cronograma rigoroso para o desligamento das máquinas, visando mitigar impactos ambientais que vinham sendo alvo de queixas da comunidade local há anos.
Conforme o planejamento estabelecido, a linha de produção foi interrompida em 4 de julho de 2026. O passo final, o desligamento definitivo do forno de fusão de vidro, está previsto para ocorrer até o dia 31 de julho. A medida atende a uma demanda antiga de moradores do entorno, que relatavam episódios frequentes de emissões atmosféricas, odores fortes e ruídos excessivos, especialmente durante o período noturno.
Impactos sociais e reestruturação da empresa
O fechamento da planta industrial afeta diretamente mais de 100 famílias que dependiam dos postos de trabalho diretos na unidade. Além dos funcionários da própria Isover, a cadeia de suprimentos local — que engloba serviços de transporte, manutenção e fornecimento de insumos — também sofrerá os impactos da desativação. A empresa informou que iniciará o processo de negociação dos desligamentos com os profissionais atingidos.
É importante ressaltar que a Saint-Gobain, grupo francês ao qual a Isover pertence, esclareceu que não deixará o Brasil. A multinacional, que possui cerca de 9 mil colaboradores distribuídos globalmente, manterá o imóvel em Santo Amaro, que passará a funcionar exclusivamente como um centro de distribuição. A presença da companhia no mercado nacional permanece robusta, com outras fábricas e marcas voltadas aos setores de construção e indústria em operação.
Histórico de tensões com a comunidade
A trajetória da unidade em Santo Amaro foi marcada por um longo período de convivência tensa com a vizinhança. Moradores da região frequentemente apontavam problemas de saúde, como irritação na pele, ardência nos olhos e dificuldades respiratórias, que seriam decorrentes das emissões da fábrica. Essas reclamações foram o motor das discussões que levaram à intervenção dos órgãos de controle ambiental.
O encerramento da produção, embora represente uma vitória para os movimentos comunitários que buscavam melhorias na qualidade do ar e do ambiente urbano, encerra um capítulo importante da história industrial da zona Sul paulistana. A transição para um centro de distribuição sinaliza uma mudança no modelo de negócio da empresa, que busca adequar suas operações aos padrões ambientais contemporâneos e à realidade logística da capital.
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