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Colômbia restringe ajuda internacional após terremoto e prioriza países alinhados ao governo

Gestão de crise sob questionamento

O governo da Colômbia, sob a liderança do recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella, enfrenta críticas severas após autorizar a entrada de equipes de busca e resgate de apenas quatro nações: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador. A decisão foi comunicada mais de dois dias após o terremoto de magnitude 7,4 que devastou diversas regiões do país na última segunda-feira (10).

O momento da autorização é considerado crítico por especialistas em desastres naturais, pois as operações de salvamento se aproximam do encerramento da chamada “janela de 72 horas”. Este período é tecnicamente reconhecido como o mais propício para localizar sobreviventes com vida sob escombros. A demora em oficializar o apoio internacional gerou um vácuo de resposta que, segundo observadores, pode ter comprometido o resgate de vítimas.

Critérios técnicos versus alinhamento político

A escolha dos países selecionados chamou a atenção por coincidir com nações cujos líderes possuem proximidade ideológica com a gestão de Espriella, um político de ultradireita que assumiu o cargo na sexta-feira (7). Em coletiva de imprensa, o chanceler colombiano, Omar Bula, negou qualquer viés político na seleção das equipes. Segundo o ministro, a decisão baseou-se exclusivamente na capacidade técnica e na certificação internacional dos grupos de resgate.

O diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), David Tamayo, reforçou que a prioridade foi dada a grupos “totalmente autônomos”, que não demandariam recursos adicionais das administrações municipais colombianas. No entanto, a justificativa não convenceu parte da comunidade internacional, especialmente após relatos de entraves burocráticos enfrentados por outros países que se colocaram à disposição.

Entraves burocráticos e a resposta mexicana

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, denunciou publicamente que o envio de brigadas militares mexicanas foi impedido por exigências burocráticas impostas por Bogotá. Segundo a mandatária, o governo colombiano solicitou uma certificação adicional que não estava prevista, apesar de as equipes mexicanas possuírem vasta experiência e reconhecimento internacional em operações de socorro.

Diante das dificuldades impostas, o México optou por enviar apenas suprimentos e medicamentos. O cenário de incerteza sobre a coordenação da ajuda também foi alvo de cobranças de outros atores diplomáticos, incluindo o embaixador chinês, Zhu Jingyang, que solicitou publicamente que o governo colombiano centralizasse a assistência internacional para evitar o caos logístico.

Posicionamento do Brasil e situação humanitária

O governo brasileiro, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, mantém tratativas com o Itamaraty para o envio de ajuda humanitária. Após contato telefônico entre o ministro Mauro Vieira e o chanceler colombiano, ficou definido que o Brasil enviará insumos como medicamentos, purificadores de água e alimentos desidratados. Até o momento, a Colômbia não solicitou formalmente o envio de equipes de busca e resgate brasileiras.

O boletim mais recente das autoridades colombianas aponta que o terremoto deixou ao menos 273 mortos e 377 desaparecidos. Cidades como Cali e Pereira seguem como focos das operações de busca, onde o risco de novos desabamentos permanece elevado. Para acompanhar os desdobramentos desta crise humanitária e outras notícias relevantes do cenário internacional, continue acompanhando o portal O Parlamento, seu compromisso diário com a informação apurada e contextualizada.

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