Tragédia em Goiatuba: “Mãe, me perdoa, eu te amo” foram as últimas palavras de vítima antes de chacina

Uma ligação telefônica de despedida, carregada de dor e desespero, marcou os momentos finais de Jainy Chaves, de 29 anos, antes de ser brutalmente assassinada em uma chacina que chocou a zona rural de Goiatuba, Goiás, na última terça-feira, 28 de julho de 2026. Segundo o relato comovente de sua mãe, Raimunda Barbosa Souza, o próprio suspeito do crime, Leonardo José de Araújo, ex-companheiro da vítima, permitiu que Jainy proferisse suas últimas palavras de amor e perdão, em um ato de crueldade que precede a tragédia.
O crime, que resultou na morte de três pessoas, expõe a face mais sombria da violência passional e levanta discussões urgentes sobre segurança e relacionamentos abusivos no país. A frieza do assassino ao intermediar a despedida da vítima com a própria mãe adiciona uma camada de horror ao já brutal cenário.
A Noite de Confraternização que Terminou em Tragédia
As investigações da Polícia Civil revelam que, horas antes dos assassinatos, Jainy Chaves estava em um bar de Goiatuba, confraternizando com Nathan Campos, de 35 anos, e Beatriz Soares Souza, de 27. Após o encontro, o trio decidiu seguir para um rancho alugado para eventos, localizado na zona rural da cidade. Este local, que deveria ser de lazer, tornou-se o palco de uma barbárie.
Leonardo José de Araújo, motivado por ciúmes, procurava por Jainy. Ao ser informado de que ela havia se dirigido ao rancho, o suspeito seguiu para o local, armado com um revólver calibre .22, para o qual não possuía porte. A chegada de Leonardo ao rancho surpreendeu as três vítimas, que não tiveram chance de defesa diante da fúria do agressor.
A Brutalidade dos Assassinatos e a Motivação Passional
A sequência dos crimes, conforme apurado pela Polícia Civil, demonstra a premeditação e a violência empregadas. Nathan Campos foi a primeira vítima, atingido por disparos na nuca e nas costas enquanto estava sentado, sem qualquer possibilidade de reação. Em seguida, Jainy Chaves foi baleada e ficou ferida.
O suspeito então perseguiu Beatriz Soares Souza, que tentava escapar, e atirou contra o peito dela. Beatriz morreu no local, antes mesmo de qualquer socorro. A principal linha de investigação aponta para a motivação passional, com Leonardo José de Araújo sendo investigado por feminicídio contra Jainy Chaves e por homicídio duplamente qualificado das outras duas vítimas. A polícia acredita que o ciúme de Leonardo foi intensificado pela crença de que Beatriz teria apresentado Jainy a Nathan.
O Desespero da Despedida por Telefone
Em um dos momentos mais chocantes do crime, Leonardo colocou Jainy, já ferida, dentro de um veículo e deixou o rancho. Durante o trajeto por estradas rurais, a vítima conseguiu, em um ato de desespero, enviar uma mensagem à irmã, relatando o ataque. Foi nesse período que o suspeito fez a ligação para Raimunda Barbosa Souza, mãe de Jainy.
Em entrevista à TV Anhanguera, Raimunda relembrou as palavras aterrorizantes de Leonardo: “Ele disse: ‘Aqui não é ela. Você sabia que sua filha vai morrer?’ Eu falei: ‘Que isso? Pelo amor de Deus.’ Ela disse: ‘Oh, mãe, me perdoa, eu te amo, eu te amo’. Ele disse que ia matar ela e se matar também”. Pouco depois dessa ligação angustiante, Leonardo efetuou mais quatro disparos contra Jainy, que morreu dentro do carro. A despedida forçada e a subsequente execução da filha deixaram a mãe em um estado de choque e luto profundo.
O Desfecho e as Investigações em Andamento
Após consumar os assassinatos, Leonardo José de Araújo atirou contra o próprio peito. Ele foi encontrado com vida e socorrido, sendo o único sobrevivente da chacina. A Polícia Civil de Goiás segue com as investigações, ouvindo testemunhas e familiares para esclarecer todos os detalhes do caso.
Um dos pontos cruciais da apuração é determinar se o crime foi planejado previamente ou se ocorreu durante um surto de ciúmes. Até o momento, Leonardo não possuía antecedentes criminais, o que adiciona complexidade à análise de seu perfil e da motivação exata que o levou a cometer tamanha atrocidade. O uso de uma arma sem porte legal também é um agravante na conduta do suspeito.
A Urgência de Combater a Violência Passional
A tragédia em Goiatuba é um lembrete doloroso da persistência da violência passional no Brasil, um problema social que afeta milhares de famílias e que muitas vezes culmina em feminicídios. Casos como o de Jainy Chaves, onde o ciúme e o sentimento de posse se transformam em atos extremos, reforçam a necessidade de políticas públicas eficazes de combate à violência contra a mulher e de conscientização sobre os sinais de relacionamentos abusivos. A despedida forçada de uma filha para a mãe, mediada pelo próprio agressor, é um símbolo da brutalidade e desumanidade que ainda permeiam esses crimes.
Para mais informações sobre a violência contra a mulher e formas de prevenção, clique aqui e acesse o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal.
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