Caso de assédio em São Luís de Montes Belos deixa comunidade escolar em alerta

Impacto psicológico e o medo de retornar à escola
A revelação de um caso de assédio envolvendo um servidor público em São Luís de Montes Belos, na região oeste de Goiás, trouxe à tona não apenas a gravidade da conduta, mas também o profundo impacto emocional causado à vítima. A adolescente, de 17 anos, que foi alvo de uma tentativa de beijo forçado e importunação por parte de um assessor legislativo, enfrenta agora um processo de isolamento social. Segundo relatos da mãe, a jovem demonstra resistência em retornar ao ambiente escolar, temendo a exposição e o julgamento dos colegas após a ampla repercussão do caso.
A mãe da vítima, que optou pelo anonimato para preservar a integridade da filha, destacou que a adolescente apresenta sinais de abalo emocional. “Ela ficou chorosa e não quer ir para a escola porque todos os amiguinhos já sabem”, afirmou. Diante da situação, a família busca suporte especializado, com a contratação de acompanhamento psicológico para auxiliar a jovem a superar o trauma e retomar sua rotina, em um esforço para minimizar os danos causados pela exposição pública do episódio.
Investigação e desdobramentos do caso
O episódio, que veio a público após denúncias, está sob investigação da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam). As imagens, que circularam amplamente, mostram o servidor Carlos Eduardo Ribeiro tentando beijar a adolescente enquanto ela trabalhava atrás de um balcão, além de oferecer um cigarro eletrônico. A apuração ganhou contornos mais amplos após a descoberta de que outras jovens teriam passado por situações semelhantes, o que levou a Câmara Municipal a instaurar um procedimento interno rigoroso.
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) informou que o processo tramita em segredo de Justiça, medida padrão para casos que envolvem menores de idade. Enquanto as autoridades policiais avançam na coleta de depoimentos e provas, a defesa do servidor, em declarações preliminares, alegou que o vídeo foi retirado de contexto e que o acusado aguarda notificação oficial para prestar esclarecimentos formais sobre os fatos narrados.
Medidas administrativas e o posicionamento da Câmara
Em resposta à gravidade das denúncias, a Câmara Municipal de São Luís de Montes Belos agiu preventivamente. O servidor foi afastado de suas funções por um período inicial de 60 dias. Posteriormente, a instituição formalizou a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), sob o número 371/2026, com a designação de uma comissão composta por servidores efetivos e estáveis para garantir a imparcialidade da apuração.
A Procuradoria Especial da Mulher, órgão vinculado ao Legislativo municipal, tem prestado assistência direta à vítima, oferecendo suporte psicológico e medidas de acolhimento. Em nota oficial, a Câmara manifestou repúdio à conduta, classificando o ato como incompatível com a dignidade humana e reafirmando seu compromisso com a proteção de mulheres e adolescentes. O órgão também apelou para que a população evite o compartilhamento de imagens que possam identificar a vítima, visando evitar a revitimização e novos danos à sua imagem.
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