Anápolis

Justiça barra demissões na Casas Bahia em Goiás e exige acordo para salvar 400 postos de trabalho

A crise financeira que assola o Grupo Casas Bahia, uma das maiores redes varejistas do país, atingiu um ponto crítico com reflexos diretos em Goiás. A companhia, que formalizou um pedido de recuperação judicial diante de uma dívida bilionária, planeja o fechamento de quase 300 lojas em todo o território nacional. Em solo goiano, o cenário de incerteza paira sobre cerca de 400 trabalhadores vinculados a 27 CNPJs ativos, conforme levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).

Impacto da reestruturação e a intervenção judicial

O plano de reestruturação da varejista, denominado Fase 2 do Plano de Transformação, prevê o encerramento de 298 unidades físicas e uma série de desligamentos em massa. No entanto, o processo sofreu um revés jurídico importante. A Justiça do Trabalho suspendeu, de forma provisória, as demissões coletivas realizadas entre os dias 13 e 17 de agosto, após uma ação movida pela CNTC.

A entidade argumentou que a empresa não promoveu a necessária negociação prévia com os sindicatos antes de iniciar os cortes. A decisão da juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos impõe que a varejista apresente um relatório detalhado sobre as unidades afetadas, o número de funcionários dispensados e os critérios adotados para a redução do quadro, além de exigir transparência sobre eventuais planos de realocação.

O peso da crise sobre o trabalhador

Para o presidente da CNTC, Eduardo Amorim, a situação expõe uma fragilidade na gestão do negócio que não pode ser transferida aos colaboradores. “O trabalhador não pode pagar por decisões ou dificuldades decorrentes da condução do negócio. A própria CLT estabelece que os riscos da atividade econômica são de responsabilidade do empresário”, afirmou em nota oficial.

Embora a liminar proteja os empregos temporariamente, ela não impede o fechamento futuro das lojas, desde que a empresa siga o rito legal exigido pelo Supremo Tribunal Federal. A incerteza sobre a manutenção das unidades em cidades como Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia e Rio Verde gera insegurança entre os funcionários, que aguardam o desenrolar das negociações entre o grupo e as entidades sindicais.

Contexto da dívida e próximos passos

O pedido de recuperação judicial, protocolado no dia 16 de agosto de 2026, declarou uma dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões, englobando dez empresas da holding, incluindo as marcas Ponto Frio e Extra.com. A varejista enfrenta um processo de encolhimento que teve início ainda em 2023, buscando adequar sua operação à nova realidade do mercado de consumo.

Em resposta à decisão judicial, o Grupo Casas Bahia informou que está avaliando os termos da liminar e os próximos passos cabíveis. A empresa reforçou que respeita as determinações da Justiça e que prestará os esclarecimentos necessários ao longo do processo, embora não tenha confirmado quais unidades específicas em Goiás serão desativadas.

O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos desta crise que afeta o varejo nacional e a economia goiana. Para se manter informado sobre este e outros temas de relevância regional e nacional, continue acompanhando nossas atualizações diárias, pautadas pelo compromisso com a apuração rigorosa e a transparência informativa.

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