Caiado planeja indicar promotor ameaçado pelo PCC para Ministério da Segurança

Aposta na experiência contra o crime organizado
O ex-governador de Goiás e candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD), apresentou nesta segunda-feira (10) uma das peças centrais de sua plataforma eleitoral: a recriação do Ministério da Segurança Pública. Em evento realizado em São Paulo, o político revelou que, caso vença o pleito, pretende convidar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya para chefiar a pasta. A escolha é vista como um aceno direto ao endurecimento das políticas de combate às facções criminosas no país.
Gakiya, que atua no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), é reconhecido nacionalmente por sua trajetória de enfrentamento ao PCC. Durante o anúncio, Caiado não poupou elogios ao profissional, classificando-o como um dos homens que mais admira pela postura firme mantida ao longo de sua carreira. “Ele é a pessoa mais determinada no combate ao crime organizado no Brasil. Então, eu quero que ele assuma esse ministério”, declarou o candidato.
Histórico de enfrentamento e ameaças
A trajetória de Lincoln Gakiya é marcada por episódios de alta tensão. O promotor foi peça-chave na transferência de lideranças do crime organizado, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, para o sistema penitenciário federal. Essa atuação direta contra a cúpula das facções o colocou na mira de organizações criminosas.
Em 2023, a Polícia Federal desarticulou um plano articulado pelo PCC que visava realizar ataques contra diversas autoridades brasileiras. Entre os alvos identificados pela investigação estavam o próprio Gakiya e o senador Sergio Moro (União Brasil-PR). O plano, que incluía estratégias de sequestro e homicídio, evidenciou a vulnerabilidade de agentes públicos que atuam na linha de frente contra o crime organizado no Brasil.
Proposta de reestruturação da segurança
A proposta de Caiado de elevar a segurança pública ao status de ministério independente reflete uma demanda antiga de especialistas e de parte da classe política. O objetivo seria conferir maior autonomia e coordenação estratégica às forças de segurança nacionais, integrando ações de inteligência contra o tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.
A escolha de um nome técnico, com histórico de enfrentamento real ao crime, busca conferir credibilidade ao plano de governo. A estratégia de Caiado visa capitalizar sobre a percepção de insegurança da população, posicionando sua candidatura como a alternativa mais rigorosa no combate à criminalidade violenta. O debate sobre a eficácia dessas medidas, contudo, deve ganhar tração nas próximas semanas com o avanço da campanha eleitoral.
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