Notícias

Mãe de jovem assediada por servidor em Goiás relata revolta após afastamento do funcionário

A mãe da adolescente de 17 anos que sofreu assédio por um servidor público em São Luís de Montes Belos, no oeste de Goiás, expressou profunda indignação e revolta com o ocorrido. Ao tomar conhecimento das imagens que registraram o incidente, a mulher, que preferiu não ter sua identidade revelada, descreveu a sensação como de “muito nojo, raiva e ira”, um misto de emoções que reflete a gravidade do ato.

O caso envolve Carlos Eduardo Ribeiro, assessor legislativo da Câmara Municipal da cidade, que foi filmado tentando beijar a jovem à força e, em outro momento, oferecer um cigarro eletrônico em sua boca. A repercussão do vídeo levou ao afastamento imediato do servidor e à instauração de um processo administrativo disciplinar para apurar os fatos.

O Contexto do Assédio e a Reação Familiar

As imagens chocantes, divulgadas pela TV Anhanguera, mostram o servidor se abaixando sobre um balcão, onde a adolescente estava sentada, em uma clara tentativa de beijo. Em seguida, ele se move para o outro lado do balcão e insiste em colocar um cigarro eletrônico na boca da jovem. A cena gerou um forte impacto na mãe da vítima, que descreveu o sentimento de “ficar estagnada” diante da inaceitável conduta.

Um dos aspectos mais dolorosos para a família foi a revelação de que a filha demorou a relatar o assédio. Segundo a mãe, a adolescente estava com medo de perder o emprego, uma situação que expõe a vulnerabilidade de jovens aprendizes em ambientes de trabalho. “Eu fiquei com dó dela por ela ter passado por isso e ela ficou calada, com medo de perder um emprego”, desabafou a mãe, evidenciando a pressão e o receio que muitas vítimas enfrentam.

A Descoberta de Outros Casos e a Denúncia

O caso de assédio contra a adolescente só veio à tona após a denúncia de outra jovem, que também teria sido molestada pelo mesmo servidor recentemente. Essa nova denúncia foi o estopim para uma apuração interna na Câmara Municipal, que resultou na localização das imagens da adolescente e na identificação de mais dois casos envolvendo Carlos Eduardo Ribeiro.

A coragem da segunda vítima em relatar o ocorrido a uma colega de trabalho foi crucial para que a verdade viesse à luz. “A outra adolescente foi molestada por ele, não sei como. E aí ela saiu no choro e teve coragem de comentar com a veladora. E aí ela foi perguntar às demais meninas que trabalhavam no local para ver se tinha acontecido coisa parecida”, explicou a mãe da primeira vítima, destacando a importância da solidariedade e do apoio entre as mulheres.

Investigação de Assédio e a Resposta Institucional

Diante da gravidade dos fatos, a Câmara Municipal de São Luís de Montes Belos agiu prontamente. Na noite de quinta-feira (20), o órgão comunicou o afastamento preventivo cautelar de Carlos Eduardo Ribeiro por 60 dias e a instauração do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) nº 371/2026. Uma comissão processante, composta por três servidores efetivos e estáveis, foi designada para apurar os fatos com independência e imparcialidade.

A Polícia Civil (PC), por meio da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam), está investigando o caso, que corre sob sigilo devido à natureza do crime e ao envolvimento de uma adolescente. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) também acompanha o processo, que deve tramitar em segredo de Justiça. A Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal informou que está prestando todo o suporte necessário à adolescente, incluindo acompanhamento psicológico e outras medidas de proteção e acolhimento, garantindo a preservação de sua identidade e dignidade.

Em nota oficial, a Câmara Municipal manifestou “veemente repúdio” ao ato, classificando-o como “incompatível com os princípios do respeito, da dignidade humana e da proteção de crianças, adolescentes e mulheres”. O órgão também reforçou seu compromisso com a apuração responsável dos fatos e solicitou à população e aos meios de comunicação que não compartilhem imagens ou informações que possam expor ou identificar a adolescente, a fim de evitar novos danos e a disseminação de versões não confirmadas oficialmente.

Procurado, Carlos Eduardo Ribeiro afirmou à TV Anhanguera que ainda aguarda ser oficialmente notificado e que o vídeo divulgado teria sido “tirado de contexto”. O g1, até a última atualização da reportagem, não conseguiu localizar a defesa do servidor. Este caso ressalta a importância de mecanismos de denúncia eficazes e de um ambiente de trabalho seguro, especialmente para jovens em início de carreira. A sociedade espera que as investigações sejam conduzidas com rigor e que a justiça seja feita, garantindo a proteção das vítimas e a responsabilização dos agressores.

Para continuar acompanhando este e outros desdobramentos importantes, acesse O Parlamento. Nosso portal está comprometido em trazer informação relevante, atual e contextualizada, abordando temas que impactam a sociedade com a profundidade e a credibilidade que você merece.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo