Angústia na França: família de adolescente goiana desaparecida relata sofrimento

A família de Alice Dias de Oliveira, uma adolescente goiana de 16 anos que desapareceu na França, vive momentos de profunda angústia e preocupação. Desde o dia 22 de julho, quando Alice foi vista pela última vez, seus pais e sua irmã enfrentam um sofrimento intenso, conforme relatado por sua prima, Wannessah Nunes. A jovem, que reside em Trappes, nos arredores de Paris, sumiu após sair do estágio, deixando um rastro de incerteza e desespero para aqueles que a amam.
Wannessah Nunes, que também mora na Europa, utilizou seu perfil no Instagram para desabafar sobre a situação, descrevendo o impacto devastador do desaparecimento na rotina familiar. “Eles não estão dormindo nem comendo”, afirmou a prima, evidenciando o estado de exaustão e apreensão dos pais de Alice. A declaração sublinha a dimensão humana e dolorosa por trás de um caso de desaparecimento, que transcende fronteiras e mobiliza esforços em dois continentes.
A dor e a mobilização da família em Trappes
Desde o sumiço de Alice, a família tem se mobilizado incansavelmente na tentativa de encontrá-la. A irmã da adolescente, Ana Flávia Dias de Oliveira, de 24 anos, tem sido uma das vozes mais ativas nessa busca. Ela publicou um vídeo nas redes sociais mostrando a distribuição de cartazes com a foto e informações de Alice por diversas partes da cidade de Trappes, onde a jovem reside com os pais.
Apesar de todos os esforços e da ampla divulgação, Ana Flávia informou na terça-feira (28) que, até o momento, não há novidades concretas sobre o paradeiro da irmã. A falta de informações agrava o desespero da família, que se vê em um limbo de incertezas, aguardando por qualquer pista que possa levar ao reencontro com Alice. A mobilização nas redes sociais e a distribuição de material físico são as principais ferramentas de busca que os familiares têm à disposição, além do apoio das autoridades.
Desafios da investigação e os protocolos franceses
A prima Wannessah Nunes também esclareceu as diferenças nos procedimentos de investigação da polícia francesa em comparação com o Brasil, o que pode gerar frustração e incompreensão para a família e para os brasileiros que acompanham o caso. Segundo ela, há um protocolo padrão na França que exige a espera de 15 dias em casos de desaparecimentos de adolescentes, especialmente durante o verão europeu, período em que tais ocorrências são mais frequentes.
“Não é a mesma realidade do Brasil. Pela polícia, tem que esperar”, explicou Wannessah, destacando a burocracia e as particularidades do sistema legal francês. Além disso, a família não teve acesso às imagens das câmeras de segurança do trem, um recurso que poderia ser crucial para entender o que aconteceu após o último contato de Alice. Essa limitação adiciona mais um obstáculo à já complexa investigação, deixando a família dependente dos prazos e métodos da polícia local.
O último contato e o perfil de uma jovem transparente
O desaparecimento de Alice ocorreu após ela sair do estágio. A última comunicação da adolescente foi uma mensagem enviada ao pai por volta das 22h30, informando que estava aguardando o trem. A preocupação da família começou a crescer quando a meia-noite chegou e Alice não retornou para casa, quebrando sua rotina e gerando um alerta imediato.
Ao g1, Ana Flávia descreveu a relação de Alice com a família como tranquila e transparente, afastando qualquer hipótese de que a jovem teria se afastado voluntariamente por conflitos ou segredos. “Se ela tivesse algum namorado, não teria por que meus pais proibirem alguma coisa, porque eu casei cedo. Quando ela quer sair, ela sempre pergunta à minha mãe: ‘Mãe, posso ir em tal lugar? Vou com fulano de tal’”, contou a irmã, reforçando a confiança mútua e a comunicação aberta entre eles. Alice e Ana Flávia nasceram em Goiânia e moram em Trappes, mas em residências separadas: Alice com os pais, e Ana Flávia com o marido e o filho. Alice tem uma rotina de estudos integrais e, ocasionalmente, trabalha como babá para uma família no mesmo condomínio.
Apoio consular e a complexidade da assistência internacional
Diante da gravidade da situação, o Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral do Brasil em Paris, confirmou que está acompanhando o caso e prestando assistência consular aos familiares da adolescente. A atuação consular brasileira é pautada pela legislação internacional e nacional, garantindo apoio a cidadãos em situações de vulnerabilidade no exterior.
Em nota, o Itamaraty esclareceu que o atendimento consular é realizado a partir do contato do cidadão interessado ou de sua família. Contudo, em observância ao direito à privacidade e às disposições da Lei de Acesso à Informação e do decreto 7.724/2012, o Ministério não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares, nem fornece detalhes sobre a assistência prestada. Para mais informações sobre as atribuições das repartições consulares do Brasil, é possível consultar o Portal Consular do Itamaraty.
A busca por Alice Dias de Oliveira continua, e a família, embora abalada, mantém a esperança de reencontrá-la em segurança. O caso ressalta os desafios enfrentados por brasileiros que vivem no exterior e a importância da rede de apoio, tanto familiar quanto institucional. O Parlamento seguirá acompanhando os desdobramentos deste caso, comprometido em trazer informação relevante e contextualizada para seus leitores, abordando temas que impactam a vida de nossa comunidade no Brasil e além-fronteiras.




