Acusado de matar namorada que filmou a própria morte enfrenta júri popular em Goiás

O caso que chocou o Brasil em novembro de 2023, quando Ielly Gabriele Alves, de 23 anos, filmou a própria morte em Jataí, no sudoeste de Goiás, tem um novo capítulo. Diego Fonseca Borges, seu namorado e acusado pelo crime, está sendo julgado por júri popular nesta quinta-feira (27). A expectativa é que o julgamento se estenda por até dois dias, em um processo que busca justiça para a jovem.
A tragédia ganhou contornos ainda mais dramáticos com a descoberta do vídeo no celular da vítima, que registrou os momentos finais de sua vida enquanto conversava com o então namorado. O registro se tornou uma peça-chave na investigação e no processo judicial, expondo a frieza do crime e desmascarando a versão inicial apresentada pelo acusado.
O Crime que Chocou Jataí e o País
Em novembro de 2023, a cidade de Jataí foi palco de um crime brutal que reverberou por todo o país. Ielly Gabriele Alves foi atingida por um tiro na região do tórax, disparado por Diego Fonseca Borges. Na época, Ielly tinha 23 anos e Diego, 27. A jovem chegou a ser socorrida pelo próprio namorado e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
O que inicialmente parecia ser um assalto ou uma emboscada, conforme a versão contada por Diego, logo se revelou uma farsa. A Polícia Militar, ao notar inconsistências no depoimento do acusado, aprofundou a investigação. A reviravolta veio com a descoberta de um vídeo no celular de Ielly, que ela mesma havia gravado, registrando o momento exato em que foi baleada pelo namorado.
A Descoberta do Vídeo e a Farsa Desmascarada
A versão inicial de Diego Fonseca Borges, que alegava que Ielly havia sido baleada por um homem em uma moto durante uma emboscada, foi rapidamente desmentida pelas evidências. Após ser levado à delegacia, a polícia encontrou no aparelho celular de Ielly o vídeo que se tornaria a principal prova contra ele. As imagens, consideradas fortes, mostram a jovem com o celular na mão, conversando com Diego, quando o disparo fatal acontece.
A mãe de Ielly, Olesiane Alves da Silva, confirmou ao g1 a história inventada por Diego. Ela relatou que, após o crime, o acusado chegou a abraçá-la, mantendo a farsa da emboscada. A descoberta do vídeo não apenas desmascarou o assassino, mas também trouxe à tona a complexidade e a crueldade do caso, que agora é submetido ao crivo do júri popular.
O Relacionamento Conturbado e a Dor da Família
A relação entre Ielly e Diego, que durou um ano e sete meses, era marcada por idas e vindas, descrita pela mãe da vítima como “conturbada”. Olesiane Alves da Silva revelou que a filha sabia que Diego possuía uma arma, mas não tinha certeza se ele a portava no momento do crime. Apesar das tentativas da mãe de se aproximar e entender a dinâmica do relacionamento, Ielly não costumava falar muito sobre o assunto.
Em entrevista à TV Anhanguera, Olesiane expressou a profunda dor e o vazio deixados pela perda da filha. “Eu costumo dizer: eu sou grata a Deus por eu estar aqui, por eu ainda ter pessoas pra cuidar, mas uma parte de mim se foi”, afirmou, evidenciando o impacto devastador do feminicídio na vida de familiares e amigos. A busca por justiça no tribunal é, para a família, um passo essencial para tentar amenizar a lacuna deixada pela ausência de Ielly.
O Desafio do Júri Popular e a Busca por Justiça
Este não é o primeiro julgamento de Diego Fonseca Borges. Um júri anterior, agendado para dezembro de 2025, foi cancelado devido a manifestações da plateia, que aplaudiu o promotor. A advogada de defesa, Mirelle Gonsalez Maciel, expressou ao g1 a expectativa de que, desta vez, “o sigilo das votações seja devidamente preservado”, permitindo que os jurados julguem com base exclusiva nos autos do processo.
A defesa também informou que a multa aplicada pela não continuação do júri anterior foi revogada pelo Tribunal de Justiça, com parecer favorável do Ministério Público. Além disso, a defesa alega que o vídeo em circulação possui áudio e que Diego prestou socorro imediato à vítima, que chegou com vida ao hospital. O júri popular é um instrumento fundamental da justiça brasileira, onde a sociedade, por meio de seus representantes, decide sobre a culpa ou inocência em crimes dolosos contra a vida, como o feminicídio. Acompanhe os desdobramentos deste caso que continua a mobilizar a opinião pública e a família de Ielly Gabriele Alves.
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