Ariene Maria Ribeiro de Sousa, pioneira do Setor Finsocial, morre aos 103 anos em Goiânia

A Região Noroeste de Goiânia perdeu, na noite desta terça-feira (25), uma de suas figuras mais emblemáticas e respeitadas. Ariene Maria Ribeiro de Sousa, pioneira do Setor Finsocial, faleceu aos 103 anos. A notícia foi confirmada por familiares, que informaram que a causa do óbito foi uma infecção urinária. Dona Ariene, como era carinhosamente conhecida pela comunidade, enfrentava um quadro de Alzheimer e estava a poucos meses de completar 104 anos.
Uma trajetória marcada pela resiliência e pioneirismo
Nascida em 1922, no Piauí, a trajetória de Dona Ariene é um retrato da força migratória que ajudou a construir a capital goiana. Após passar pela zona rural de Correntes e por Dianópolis, no Tocantins, ela chegou a Goiânia ao lado do marido, Senhorinho Ribeiro de Sousa, quando ambos já haviam ultrapassado os 60 anos. O casal foi um dos protagonistas da ocupação que, a partir de 1982, deu origem ao Setor Finsocial e ao bairro vizinho, o Mutirão.
O início da vida na capital foi marcado por desafios extremos. A família, que cresceu com a chegada de 12 filhos, precisou se instalar em uma estrutura improvisada, coberta apenas por lona, antes de consolidar a residência definitiva onde Dona Ariene viveu por décadas. A casa tornou-se um ponto de referência e memória viva do desenvolvimento urbano da Região Noroeste.
Legado familiar e a fé como pilar da longevidade
Viúva desde 2001, Dona Ariene viu sua linhagem se expandir significativamente, deixando um legado composto por 28 netos, além de bisnetos e tataranetos. Em entrevistas concedidas ao completar seu centenário, em dezembro de 2022, ela mantinha uma postura serena e otimista. Quando questionada sobre o segredo para viver mais de um século, a resposta era direta e centrada na espiritualidade: “Deus! Ele é bom e me dá saúde para viver”, costumava dizer.
A rotina da centenária, que incluía hábitos simples como o consumo de cuscuz com leite, tapioca e arroz com carne, era acompanhada com admiração pelos vizinhos. Sua presença era constante nas histórias contadas pelos moradores mais antigos, que viam nela um símbolo de resistência e sabedoria popular.
Repercussão e despedida na comunidade
A partida de Dona Ariene gerou uma onda de homenagens nas redes sociais, onde amigos e conhecidos destacaram sua alegria e a hospitalidade que sempre marcou sua casa. Relatos de internautas descrevem uma mulher admirável, dona de um coração generoso e de ditados populares que se tornaram parte do folclore local. O velório foi realizado na Primeira Igreja Batista do Finsocial, espaço que reuniu familiares e a comunidade local para o último adeus.
O sepultamento, ocorrido nesta quarta-feira (26), encerra um capítulo importante da história do Setor Finsocial. A trajetória de Dona Ariene permanece como um testemunho da construção de Goiânia por meio da coragem de seus migrantes. Para continuar acompanhando notícias sobre a memória e os acontecimentos da capital goiana, siga o portal O Parlamento, onde mantemos o compromisso com a informação precisa e o respeito às histórias que moldam nossa sociedade.




