Notícias

Família acusa médico de manter fotos de paciente morta após plástica para promoção

A morte trágica da empresária Andreia Vieira Gaspar, de 51 anos, após uma cirurgia plástica em Goiânia, ganhou um novo e revoltante capítulo. A família da paciente denuncia que o médico responsável pelo procedimento, Lessandro Martins, publicou e manteve imagens dela nas redes sociais para fins promocionais, mesmo após o falecimento e sepultamento. O caso, que já é investigado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) por possível homicídio culposo, agora se aprofunda em questões de ética médica e respeito à memória.

A indignação da família é palpável, especialmente pela forma como a imagem de Andreia foi utilizada. Segundo Djiane Vieira, irmã da empresária, as publicações foram feitas enquanto Andreia ainda estava internada e permaneceram ativas nas redes sociais do médico mesmo depois de sua morte e enterro, configurando, para os familiares, uma profunda falta de sensibilidade e respeito em um momento de luto extremo.

A denúncia da família e a violação da memória

Djiane Vieira relatou que o médico Lessandro Martins teria postado fotos de Andreia tanto no feed quanto nos stories do Instagram. A família só tomou conhecimento dessas publicações após o sepultamento, o que intensificou o sentimento de ultraje. Uma das postagens, conforme o registro da família, indicava que estava no ar há cerca de 18 horas, evidenciando que a divulgação ocorreu enquanto Andreia ainda lutava pela vida no hospital.

“Eu me senti assim completamente sem respeito algum”, desabafou Djiane, expressando a dor e a perplexidade diante da atitude. A família guardou os registros das publicações, que teriam sido posteriormente apagadas pelo médico. Este episódio levanta sérias questões sobre a ética na divulgação de imagens de pacientes, especialmente em contextos tão delicados e após um desfecho fatal, onde a privacidade e a dignidade da pessoa e de seus entes queridos deveriam ser prioridades absolvas. Para mais informações sobre ética médica e sigilo do paciente, você pode consultar fontes como o Conselho Federal de Medicina.

O sonho interrompido e os custos da cirurgia

Andreia Vieira Gaspar, que morava na Espanha havia cinco anos, viajou para Goiânia com um grande sonho: realizar procedimentos estéticos. Segundo a irmã, Andreia passou cerca de dois anos se preparando financeiramente para a cirurgia, poupando um valor significativo de R$ 118 mil. “Não é fácil você reunir R$ 118 mil ganhando salário. Então era um sonho na cabeça dela que já vinha de anos”, afirmou Djiane, ressaltando o esforço e a dedicação da irmã para concretizar seu desejo.

A preparação de Andreia incluía a realização de exames na Espanha, cujos resultados foram enviados à equipe médica no Brasil. Contudo, a família aponta que um desses exames já indicava uma alteração relacionada a uma bactéria. Além disso, uma consulta pré-operatória marcada para o dia 10 de agosto, antes do procedimento, foi cancelada. “Até nesse momento a minha irmã não tinha passado pelo médico e não fez uma avaliação própria, pessoalmente”, denunciou Djiane, levantando dúvidas sobre a adequação da avaliação pré-cirúrgica.

Os momentos finais e o pedido de socorro

A cirurgia de Andreia durou várias horas, e ela retornou ao quarto no fim da tarde do dia 11 de agosto. A partir daí, seu quadro de saúde começou a se deteriorar rapidamente. A irmã descreveu que Andreia estava muito inchada e começou a apresentar dificuldades severas para respirar. Em meio ao desespero, Djiane Vieira implorou por socorro em um grupo de mensagens com a equipe médica.

“A minha irmã tá morrendo. Pelo amor de Deus. Vocês atende, ninguém aparece. Pelo amor de Deus”, escreveu Djiane, em mensagens que evidenciam a angústia da família e a percepção de uma resposta inadequada à piora do quadro da paciente. A família sustenta que houve negligência no atendimento, culminando na morte de Andreia na madrugada do dia 12 de agosto, cuja causa foi identificada como trombose aguda.

As respostas do médico e do hospital

Diante das graves acusações e da repercussão do caso, tanto o médico Lessandro Martins quanto o Hospital Ankar, onde o procedimento foi realizado, emitiram notas oficiais. O médico Lessandro Martins lamentou profundamente o falecimento de Andreia Vieira Gaspar e manifestou solidariedade aos familiares. Em sua nota, ele afirmou que, em respeito ao sigilo médico, não comentaria publicamente dados clínicos, exames ou detalhes do atendimento, mas que prestaria todos os esclarecimentos aos órgãos competentes, confiando que a apuração demonstrará a correção da assistência prestada.

A advogada do Hospital Ankar, Cristiene Pereira Couto, também expressou o pesar da unidade e a solidariedade à família. A defesa do hospital esclareceu que Andreia recebeu atendimento de emergência imediato, com assistência da equipe médica e de enfermagem. O hospital destacou que os exames pré-operatórios foram realizados externamente e que todos os registros do atendimento estão devidamente documentados em prontuário, que será disponibilizado às autoridades. O Hospital Ankar reiterou seu compromisso com a transparência e a colaboração na apuração dos fatos.

O caso de Andreia Vieira Gaspar continua a ser acompanhado de perto, com a investigação do MP-GO buscando esclarecer as circunstâncias de sua morte e as responsabilidades envolvidas. A denúncia da família sobre o uso indevido de suas imagens adiciona uma camada de complexidade e dor a uma história que já é marcada pela perda e pela busca por justiça. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando O Parlamento, seu portal de notícias que oferece informação aprofundada, atual e contextualizada.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo