Luciana Amorim propõe reestatização e desmilitarização em plano de governo para Goiás

A corrida eleitoral para o governo de Goiás em 2026 começa a ganhar contornos mais definidos com a apresentação dos planos de governo dos candidatos. Entre eles, destaca-se o da postulante Luciana Amorim, do partido Unidade Popular (UP), que registrou junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento de 25 páginas com suas diretrizes para a gestão 2027-2030. A proposta, construída em diálogo com movimentos sociais, sinaliza uma forte ampliação da atuação estatal e um foco robusto em políticas de inclusão e direitos sociais, priorizando trabalhadores, populações de baixa renda, mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Caymmi Henrique é o candidato a vice-governador na chapa.
Luciana Amorim, que já disputou o cargo de vice-governadora em 2022, fundamenta a elaboração de seu plano em um diagnóstico socioeconômico aprofundado do estado de Goiás e na escuta ativa de entidades populares. A plataforma da UP se posiciona de forma contundente contra a lógica privatista, defendendo uma maior presença do poder público em setores estratégicos da economia e na oferta de serviços essenciais à população.
Reestatização e o debate sobre serviços públicos em Goiás
Um dos pilares do plano de governo de Luciana Amorim é a defesa da reestatização de empresas e serviços que foram privatizados ou estão em processo de concessão. A candidata propõe a reestatização da Companhia Energética de Goiás (Celg) e dos sistemas de transporte, além do cancelamento dos processos de privatização da Saneago, empresa de saneamento básico do estado. Essa abordagem reflete um debate nacional sobre a eficiência e o acesso aos serviços públicos sob gestão privada, com a UP argumentando que a gestão estatal pode garantir tarifas mais justas e maior universalização do acesso.
A discussão sobre a reestatização da Celg, por exemplo, remete a períodos anteriores da história de Goiás, quando a empresa era integralmente pública. A proposta de Luciana Amorim reacende o debate sobre o papel do Estado na infraestrutura e na garantia de direitos básicos, como energia e saneamento, em contraponto à visão de que a iniciativa privada traria maior eficiência e investimentos. A reestatização dos transportes também levanta questões sobre a mobilidade urbana e intermunicipal, buscando um modelo que priorize o acesso e a qualidade para o cidadãos, especialmente nas regiões mais afastadas dos grandes centros.
Segurança e educação: desmilitarização e valorização
Na área da segurança pública, o plano da Unidade Popular propõe a desmilitarização das forças policiais, uma pauta que tem ganhado espaço em discussões sobre direitos humanos e modelos de policiamento comunitário. A medida visa a uma reestruturação que promova uma polícia mais próxima da comunidade e focada na prevenção, com ênfase na formação humanística dos agentes e na redução da violência policial. Além disso, o programa defende o fim do modelo militar nos colégios estaduais, revertendo uma tendência de militarização de escolas que tem sido implementada em diversas partes do país.
Para a educação, o documento apresenta uma ampla gama de propostas. Entre os pontos centrais, destacam-se a ampliação da escola em tempo integral, a realização de novos concursos públicos para valorizar os planos de carreira dos profissionais da categoria, a erradicação do analfabetismo e a expansão do ensino técnico. A candidata também prevê a ampliação da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e o aumento de vagas em creches públicas, buscando garantir acesso à educação de qualidade desde a primeira infância até o ensino superior.
Trabalho, renda e direitos sociais ampliados
O plano de Luciana Amorim aborda a questão do trabalho e da renda com medidas que visam a combater o desemprego e a desigualdade social. A candidata propõe a criação de frentes emergenciais de trabalho, vinculadas a obras públicas essenciais como saneamento, postos de saúde e moradias populares, gerando empregos e melhorando a infraestrutura. Além disso, prevê um auxílio emergencial contínuo para pessoas desempregadas e a instituição de um salário mínimo estadual com valor equivalente ao dobro do piso nacional, uma medida que, se implementada, teria um impacto significativo na renda das famílias goianas e na economia local.
No campo dos direitos sociais, o programa é abrangente. Inclui a criação de delegacias especializadas com funcionamento 24 horas e centros de referência para mulheres vítimas de violência, além de assistência jurídica gratuita e programas de prevenção à violência de gênero. O documento também defende a legalização do aborto, o combate à LGBTfobia e a implementação de políticas de reparação histórica para a população negra. Na saúde, o foco é o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com a redução da participação de organizações sociais (OSs) na gestão hospitalar, a criação de Centros Regionais de Especialização Médica e a ampliação de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Centros de Saúde da Família no interior do estado. A reforma urbana também é contemplada, com investimentos prioritários nas periferias, projetos de habitação popular a partir de imóveis desocupados e a implantação de lavanderias e restaurantes comunitários, visando a melhorar a qualidade de vida nas regiões mais vulneráveis.
O plano de governo de Luciana Amorim (UP) para Goiás se apresenta como uma alternativa com propostas claras de intervenção estatal e ampliação de direitos sociais. Acompanhe no O Parlamento a cobertura completa das eleições, com análises aprofundadas sobre os programas de todos os candidatos, debates e as últimas notícias que impactam a vida dos goianos e do Brasil. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada para que você forme sua própria opinião.




