Enfermeira é agredida por paciente após negar atendimento em hospital lotado no DF

Uma enfermeira residente em Anápolis, que atua no Distrito Federal, foi vítima de uma violenta agressão física no último domingo (09), dentro das dependências do Hospital Regional de Samambaia (HRSam). O episódio ocorreu após a profissional orientar uma paciente a buscar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou Unidade Básica de Saúde (UBS), devido à superlotação da unidade hospitalar.
A dinâmica da agressão no ambiente hospitalar
Gisella Souza Pereira, de 42 anos, realizava a triagem da paciente, que apresentava queixas de mal-estar, dor abdominal leve e desconforto ao urinar há dois dias. De acordo com os protocolos de classificação de risco, o quadro foi identificado como prioridade azul, destinado a casos de menor complexidade. Naquele momento, o hospital operava em bandeira vermelha, o que restringe o atendimento clínico apenas a casos de urgência e emergência.
Segundo o relato da profissional, a situação escalou quando a paciente solicitou um documento comprovando sua presença no local, o que foi negado por não ter havido atendimento médico. Após a autorização para fotografar a tela do computador, a paciente teria começado a filmar a enfermeira sem consentimento. Ao solicitar que a gravação fosse interrompida, Gisella foi atacada com socos, tapas e arranhões que atingiram seu rosto, pescoço e tórax.
Repercussão e medidas institucionais
O conflito foi contido com a intervenção de vigilantes e do marido da paciente. Ambas as partes foram encaminhadas à delegacia local e submetidas a exames no Instituto Médico Legal (IML). A paciente alega, em sua defesa, ter sofrido agressões físicas durante o embate, versão que será apurada pelas autoridades policiais.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou, por meio de nota oficial, que está prestando suporte à servidora, incluindo acolhimento institucional e encaminhamento para avaliação da Medicina do Trabalho. A pasta reforçou que não tolera atos de violência contra seus colaboradores e que o caso segue as diretrizes da Lei Distrital nº 7.934/2026, que visa garantir a integridade física e psicológica dos profissionais de saúde.
Segurança e o debate sobre a violência no trabalho
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) manifestou repúdio ao ocorrido, classificando o episódio como um sintoma de um problema estrutural mais amplo. Para o órgão, a segurança dos profissionais deve ser uma prioridade na gestão dos serviços de saúde, sugerindo medidas como a instalação de dispositivos de emergência, conhecidos como “botões do pânico”, e a ampliação da infraestrutura das unidades para evitar a sobrecarga.
Este caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade de enfermeiros e técnicos em ambientes de alta pressão, onde a escassez de recursos e a demanda reprimida frequentemente resultam em conflitos diretos com a população. Acompanhe as atualizações deste caso e outras notícias relevantes sobre o cotidiano e a política regional aqui n’O Parlamento, seu portal de confiança para informações apuradas e contextualizadas.




