Eduardo Bilemjian e o olhar estrangeiro que documentou a fundação de Goiânia

A chegada de um refugiado armênio ao coração do Brasil
A história de Goiânia, inaugurada oficialmente em 1933, não é composta apenas por projetos arquitetônicos e decisões políticas. Entre os personagens fundamentais que ajudaram a eternizar a transformação do cerrado em uma metrópole moderna está Eduardo Bilemjian. Refugiado armênio, ele desembarcou em solo goiano em 1935, atraído por um anúncio que circulava em São Paulo sobre as promessas de desenvolvimento da nova capital.
Bilemjian não era apenas um observador da paisagem urbana; ele era um artesão da imagem. Em uma época em que a fotografia era predominantemente em preto e branco, o profissional se destacava pela técnica minuciosa de colorir suas capturas à mão. Esse cuidado estético conferiu às suas obras uma vivacidade que permite, ainda hoje, que pesquisadores e historiadores enxerguem os primeiros anos da cidade com uma profundidade rara.
Registros históricos da construção da capital
Ao percorrer as ruas de terra e os canteiros de obras que definiriam o traçado da cidade, o fotógrafo documentou o nascimento de uma era. Suas lentes capturaram desde a imponência das avenidas planejadas até a rotina dos edifícios históricos que começavam a compor o centro administrativo. O trabalho de Bilemjian foi essencial para registrar a transferência definitiva da sede do governo estadual, um marco que consolidou a transição da antiga capital, Vila Boa, para o projeto moderno de Pedro Ludovico Teixeira.
Embora tenha sido uma figura central na memória visual da cidade, a relação de Bilemjian com o poder da época foi marcada por distanciamentos. O fotógrafo, muitas vezes ignorado pela elite política que conduzia a construção da capital, manteve-se fiel à sua missão de documentar a realidade cotidiana. Esse distanciamento, curiosamente, permitiu que seu acervo fosse mais autêntico, capturando nuances que a fotografia oficial, muitas vezes encomendada para fins de propaganda, preferia omitir.
Legado e preservação da memória goiana
O acervo deixado por Eduardo Bilemjian funciona hoje como um documento histórico indispensável para compreender a identidade goianiense. A técnica de colorização manual, aplicada com precisão, transformou registros técnicos em verdadeiras crônicas visuais. O trabalho do fotógrafo armênio é frequentemente citado em estudos sobre a história de Goiânia, servindo de base para exposições e pesquisas acadêmicas que buscam entender a transição do estado para o século XX.
Preservar essas imagens é garantir que as futuras gerações compreendam o esforço humano por trás do concreto e do planejamento urbano. O Parlamento segue acompanhando as histórias que moldaram o Brasil, trazendo à luz personagens que, como Bilemjian, foram fundamentais para a construção da nossa identidade cultural. Continue conosco para mais reportagens que conectam o passado ao presente com rigor e profundidade.

