Nova lei amplia licença-paternidade no Brasil para até 20 dias e redefine suporte familiar

A chegada de um filho, seja por nascimento ou adoção, marca um momento de profundas transformações na vida familiar. Para os trabalhadores brasileiros, essa fase ganhará um novo contorno com a ampliação da licença-paternidade, que passará a oferecer um período significativamente maior de afastamento do trabalho, sem prejuízo da renda. A medida, que será implementada de forma gradual, visa fortalecer o vínculo familiar e garantir maior participação dos pais nos primeiros e cruciais cuidados com o bebê.
A nova legislação, Lei nº 15.371/2026, sancionada em março, representa um avanço importante nas políticas de apoio à família e ao trabalhador. Segundo a advogada trabalhista Henriette Brigagão, a iniciativa busca não apenas ampliar o tempo de convivência, mas também oferecer um suporte mais robusto às famílias, reconhecendo a importância da figura paterna no desenvolvimento infantil desde os primeiros dias de vida.
A Evolução da Licença-Paternidade no Cenário Brasileiro
Historicamente, a licença-paternidade no Brasil era um benefício de curta duração, fixado em apenas cinco dias. Esse período, muitas vezes considerado insuficiente diante das demandas que surgem com a chegada de um novo membro na família, limitava a participação ativa dos pais nos cuidados iniciais e no apoio à mãe. A Lei nº 15.371/2026 surge para reverter esse cenário, propondo uma mudança estrutural que reflete uma compreensão mais moderna sobre a parentalidade compartilhada.
A ampliação da licença é um reconhecimento da necessidade de um envolvimento paterno mais presente e ativo. Pesquisas e estudos sociais apontam que a participação dos pais desde o início da vida da criança contribui para um desenvolvimento mais saudável, além de fortalecer a dinâmica familiar e promover uma divisão mais equitativa das responsabilidades domésticas e de cuidado. A nova regra, portanto, não é apenas um direito trabalhista, mas uma ferramenta de transformação social.
O Cronograma de Ampliação e Condições para o Benefício
A transição para o novo modelo de licença-paternidade será feita em etapas, permitindo que empresas e o sistema de Previdência Social se adaptem às novas exigências. O cronograma prevê que, a partir de 1º de janeiro de 2027, o período de afastamento será de 10 dias. Em 2028, esse prazo se estenderá para 15 dias e, finalmente, em 2029, poderá alcançar os 20 dias.
É fundamental que os trabalhadores estejam atentos à data de ocorrência do evento (nascimento, adoção ou concessão da guarda judicial), pois até o fim de 2026, a regra geral dos cinco dias ainda estará em vigor. A adoção dos 20 dias, em 2029, está condicionada ao cumprimento da meta fiscal estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias, o que significa que um eventual não cumprimento poderá adiar a implementação da última etapa.
O benefício será concedido em casos de nascimento, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Durante o período de afastamento, o beneficiário não poderá exercer qualquer outra atividade remunerada e deverá se dedicar aos cuidados com a criança ou adolescente, garantindo o propósito da lei.
Salário-Paternidade e o Papel da Previdência Social
Uma das inovações mais significativas da Lei nº 15.371/2026 é a criação do salário-paternidade no Regime Geral de Previdência Social. Essa medida garante que o trabalhador não tenha perda de renda durante o afastamento. Para os empregados com carteira assinada, a empresa continuará efetuando o pagamento integral da remuneração e, posteriormente, poderá solicitar o reembolso à Previdência Social.
Já para outras categorias, como empregados domésticos, contribuintes individuais e segurados especiais, o pagamento poderá ser feito diretamente pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O valor do benefício, nesses casos, dependerá da forma de contribuição de cada trabalhador, seguindo as regras previdenciárias vigentes. Essa diferenciação busca abranger a diversidade de vínculos empregatícios e garantir o acesso ao direito para um número maior de pais.
Extensões e a Importância do Apoio Familiar
A lei também prevê situações específicas que podem estender o período da licença-paternidade. Em casos de internação da mãe ou do recém-nascido por complicações relacionadas ao parto, o afastamento poderá ser prorrogado. Além disso, quando a criança ou adolescente for pessoa com deficiência, o período da licença será acrescido em um terço, reconhecendo as necessidades adicionais de cuidado e atenção que essas famílias podem ter.
Essas extensões reforçam o caráter humano e protetivo da legislação, que busca oferecer um suporte mais abrangente e adaptado às diferentes realidades familiares. A licença-paternidade ampliada é um passo importante para a construção de uma sociedade que valoriza a igualdade de gênero na criação dos filhos e que reconhece o papel fundamental de ambos os pais no desenvolvimento e bem-estar da criança. É um investimento no futuro das novas gerações e na qualidade de vida das famílias brasileiras.
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