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Varejo repensa jornada: grandes redes de supermercados e farmácias avançam com escala 5×2

Grandes nomes do varejo brasileiro estão em um movimento de transformação significativa na gestão de suas equipes, com a gradual substituição da tradicional escala de trabalho 6×1 pela jornada 5×2. Essa mudança, que garante duas folgas semanais aos funcionários, já é uma realidade em algumas das maiores redes de supermercados e farmácias do país, marcando um novo capítulo nas relações trabalhistas do setor.

A iniciativa, embora ainda não seja uma imposição legal em âmbito nacional, reflete uma busca das empresas por maior atratividade no mercado de trabalho, redução da rotatividade e, consequentemente, melhoria na qualidade de vida de seus colaboradores. O cenário atual aponta para uma tendência de adaptação interna, impulsionada por demandas de mercado e pela percepção dos benefícios que um modelo de trabalho mais flexível pode trazer.

Pioneirismo e implementação da nova escala

Entre as empresas que lideram essa transição, destaca-se a RD Saúde, controladora das renomadas farmácias Raia e Drogasil. A companhia já adotou integralmente a jornada 5×2 em toda a sua operação, abrangendo desde lideranças e farmacêuticos até os demais níveis da equipe. A implementação foi feita de forma escalonada, garantindo uma transição suave e eficiente.

Apesar da mudança na distribuição dos dias de trabalho, a carga semanal de 44 horas, conforme previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), foi mantida. A reorganização dos turnos e equipes permitiu que a empresa oferecesse as duas folgas semanais sem comprometer a produtividade ou a cobertura das lojas. Essa estratégia demonstra que é possível conciliar as necessidades operacionais com o bem-estar dos funcionários.

O avanço nos supermercados e os primeiros resultados

O setor supermercadista também acompanha essa evolução. O Grupo Supernosso, com forte atuação em Minas Gerais, iniciou a implantação da escala 5×2 após um projeto-piloto bem-sucedido em três de suas lojas. O modelo já foi expandido para outras unidades e a expectativa é que alcance toda a rede em breve, consolidando a nova jornada como padrão.

No Espírito Santo, a rede Extrabom está realizando testes para avaliar os impactos da nova jornada, demonstrando cautela e planejamento na adoção de um modelo que pode redefinir o dia a dia de milhares de trabalhadores. Outro exemplo notável é o Supermercados BH, que, por meio de convenção coletiva, passou a manter suas lojas fechadas aos domingos no Espírito Santo, assegurando o descanso dominical para seus empregados naquela operação específica.

As empresas que já implementaram ou estão em fase de teste relatam resultados positivos. Os primeiros indicadores apontam para uma melhora perceptível no clima organizacional, um aumento no interesse pelas vagas disponíveis e uma redução na taxa de rotatividade de funcionários. Esses fatores são cruciais em um mercado que enfrenta forte concorrência por mão de obra qualificada.

A escala 6×1 e o debate nacional sobre a jornada de trabalho

É fundamental ressaltar que, apesar do avanço das empresas, a alteração para a jornada 5×2 não significa o fim da escala 6×1 em todo o Brasil. A legislação trabalhista atual continua permitindo o modelo 6×1, e a adoção da nova jornada ainda depende da decisão individual das empresas ou de acordos coletivos específicos. Não há, até o momento, uma mudança legislativa que torne a 5×2 obrigatória.

O tema da jornada de trabalho está em constante debate no Congresso Nacional, com diversas propostas tramitando. No entanto, nenhuma alteração na legislação foi aprovada recentemente, o que mantém a autonomia das empresas para definir seus modelos de escala, desde que respeitem as normas da CLT. Especialistas do mercado de trabalho avaliam que as companhias capazes de reorganizar suas operações para oferecer a jornada 5×2 podem colher benefícios significativos, como maior retenção de talentos, diminuição de faltas e um aumento geral na produtividade.

Enquanto a escala 6×1 permanece válida para os empregadores que optarem por mantê-la, a transição para a 5×2 se configura como uma decisão estratégica e empresarial, e não uma imposição legal. Esse movimento reflete uma adaptação do setor varejista às novas expectativas dos trabalhadores e às tendências de valorização do equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

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