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Após 37 anos, Ronaldo Caiado lança segunda candidatura à Presidência do Brasil

Em um movimento que marca um retorno significativo ao cenário político nacional, Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, confirmou sua segunda candidatura à Presidência da República. A decisão, que o coloca novamente na disputa pelo Palácio do Planalto após um hiato de 37 anos, foi oficializada pelo Partido Social Democrático (PSD), ao qual se filiou em março de 2026. Aos 76 anos, o médico ortopedista e político goiano se prepara para um novo desafio eleitoral, buscando consolidar uma plataforma que dialogue com o eleitorado conservador e do agronegócio.

A jornada até esta nova indicação não foi trivial. Caiado superou uma concorrência interna robusta, que incluiu nomes como Ratinho Junior, governador do Paraná, e Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, ambos com projeção nacional. Sua ascensão ao posto de candidato do PSD reflete uma articulação partidária complexa e a capacidade de unificar diferentes correntes dentro da legenda, liderada por Gilberto Kassab, que figura como seu candidato a vice.

A primeira corrida presidencial de Ronaldo Caiado

A primeira incursão de Ronaldo Caiado na corrida presidencial ocorreu em 1989, um pleito histórico que marcou a primeira eleição direta para presidente após o fim da ditadura militar no Brasil. Naquele ano, com um total de 22 candidatos, incluindo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o eventual vencedor Fernando Collor de Mello, Caiado obteve menos de 1% dos votos. A disputa de 1989 foi um divisor de águas na política brasileira, redefinindo o panorama partidário e as estratégias de campanha em uma nação que redescobria a democracia.

Desde então, a trajetória política de Caiado foi marcada por uma constante presença no Congresso Nacional e, mais recentemente, no governo de Goiás. Sua experiência acumulada ao longo de décadas, passando por diferentes cargos eletivos, confere-lhe um perfil de político experiente, capaz de transitar por diversas pautas e articular apoios em diferentes esferas.

Da UDR ao governo de Goiás: uma trajetória consolidada

A carreira pública de Caiado teve início na década de 1980, quando presidiu a União Democrática Ruralista (UDR). Essa entidade se destacou pela defesa dos interesses dos produtores rurais, em um período de intensos debates sobre a reforma agrária no país, especialmente em oposição ao Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) de 1985. Essa fase inicial cimentou sua imagem como um defensor do agronegócio, um pilar que permanece em sua plataforma política.

Após a campanha presidencial de 1989, Caiado foi eleito deputado federal em 1990, tornando-se o mais votado em Goiás. Sua passagem pela Câmara dos Deputados foi interrompida em 1994 para uma primeira tentativa ao governo goiano, onde ficou em terceiro lugar. Retornou à Câmara em 1998, cumprindo mais três mandatos consecutivos. Em 2014, elegeu-se senador pelo partido Democratas (antigo PFL), consolidando sua influência no Congresso Nacional.

Como senador, Caiado manteve uma postura de oposição ferrenha ao Partido dos Trabalhadores (PT), alinhando-se a pautas de austeridade fiscal e reformas. Votou a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos em 2016 e da reforma trabalhista em 2017, durante o governo de Michel Temer (MDB), após o impeachment de Dilma Rousseff. Em 2018, foi eleito governador de Goiás no primeiro turno, sendo reeleito em 2022, também em primeiro turno. Sua renúncia ao mandato em março deste ano abriu caminho para a atual disputa presidencial, deixando o governo do estado nas mãos de seu vice, Daniel Vilela (MDB).

Bandeiras e propostas para o eleitorado conservador

A plataforma de Ronaldo Caiado para a Presidência busca atrair o eleitorado conservador e o setor do agronegócio, pilares de sua base de apoio. A segurança pública emerge como sua principal bandeira, com propostas que incluem a integração das polícias estaduais com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal para um combate mais eficaz ao crime organizado. Ele defende a ampliação da atuação conjunta das forças de segurança, visando uma resposta mais robusta à criminalidade.

Na economia, Caiado propõe que o Brasil intensifique a exploração e o processamento de minerais críticos, como as terras raras, por meio de parcerias estratégicas com países como Estados Unidos e Japão. Essa abordagem visa posicionar o Brasil como um ator relevante na cadeia global de suprimentos de alta tecnologia. No campo social, o candidato defende a transição de programas assistenciais para o que denomina políticas de emancipação, argumentando que o foco deve ser na autonomia financeira dos cidadãos. “Nós não nos vangloriamos do cartão social, nós nos gloriamos daquelas pessoas que são emancipadas e passam a viver da sua própria renda”, declarou em seu primeiro discurso como pré-candidato.

Um ponto de destaque em suas declarações públicas é a defesa de uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para os condenados e investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa posição ressoa com uma parcela do eleitorado que busca uma revisão dos processos relacionados aos eventos daquele dia.

O desafio de 2026 e o legado político

A segunda tentativa de Ronaldo Caiado à Presidência da República ocorre em um cenário político nacional complexo, com polarizações acentuadas e a busca por um novo equilíbrio de forças. Sua candidatura pelo PSD, um partido que tem crescido em influência, representa uma aposta na experiência e na capacidade de articulação de um político com longa trajetória. A disputa de 2026 promete ser um teste para a força de sua plataforma conservadora e sua habilidade de dialogar com diferentes segmentos da sociedade brasileira.

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