Notícias

Goiás surpreende com ‘praia sem mar’ em serra de mais de um bilhão de anos

Em meio ao coração do Brasil, o estado de Goiás revela uma de suas mais impressionantes belezas naturais: uma verdadeira “praia sem mar” encravada no alto de uma serra. Este fenômeno geológico, conhecido como areal, está localizado no Parque Estadual da Serra Dourada (PESD), dentro dos limites do município de Mossâmedes, na região Oeste goiana. A paisagem é um espetáculo de contrastes, onde a areia branca se encontra com a exuberante vegetação do Cerrado, criando um cenário que desafia as expectativas.

A singularidade do local atrai a atenção de pesquisadores e amantes da natureza, que buscam compreender a formação de um ambiente tão peculiar em um estado sem litoral. A Serra Dourada, com sua história geológica milenar, oferece não apenas um visual deslumbrante, mas também um valioso campo de estudo sobre a evolução do relevo brasileiro.

A formação geológica milenar da Serra Dourada

A Serra Dourada, que abriga o inusitado areal, possui uma idade estimada entre 1 e 1,6 bilhão de anos, conforme informações da professora Karla Faria, da Universidade Federal de Goiás (UFG), em entrevista ao g1 em novembro de 2025. Essa impressionante longevidade confere à região uma característica de relevo única, classificada como “hogback”. Segundo a pesquisadora, as rochas que compõem a serra formam cristas sustentadas por estruturas mais resistentes, apresentando uma inclinação acentuada que resulta em um lado mais íngreme e outro mais suave e plano.

Essa configuração geológica, aliada à ação de milhões de anos de processos erosivos, esculpiu a paisagem que hoje se assemelha a uma praia. A areia branca, resultado da desagregação de rochas quartzíticas, contrasta de forma marcante com o verde da vegetação nativa do Cerrado, criando um ecossistema de beleza rara e de grande interesse científico e turístico.

A relevância histórica e ecológica da Serra Dourada

O Parque Estadual da Serra Dourada (PESD) não se restringe apenas a Mossâmedes, abrangendo também os municípios de Cidade de Goiás e Buriti de Goiás, com uma área total de aproximadamente 30 mil hectares. Criado em 2003, por meio do Decreto nº 5.768, o parque tem como missão primordial preservar a integridade desse importante maciço rochoso, que atinge 1.080 metros de altitude em seu ponto mais elevado.

Além de sua importância ecológica, a Serra Dourada possui um profundo valor histórico para o Brasil. Foi essa formação rochosa que despertou o interesse dos bandeirantes durante suas expedições em busca de riquezas pelo interior do país, no período colonial. Aos pés da serra, surgiu um importante arraial que, com o tempo, se transformou na primeira capital de Goiás, a atual Cidade de Goiás, reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO. O parque, portanto, protege não apenas a biodiversidade e a geodiversidade, mas também um pedaço fundamental da memória e da cultura brasileira.

A unidade de conservação é um mosaico de ecossistemas, reunindo, além do areal, cursos d’água cristalinos cercados por matas de galeria, mirantes que oferecem vistas panorâmicas, grutas misteriosas e formações rochosas peculiares que, em alguns pontos, se organizam de forma a lembrar uma verdadeira cidade de pedra. Essa diversidade de ambientes faz do PESD um destino de grande potencial para o ecoturismo e a educação ambiental.

Acesso e desafios para a visitação no parque

Para aqueles que desejam explorar as maravilhas do Parque Estadual da Serra Dourada, o acesso principal se dá por Mossâmedes, cidade localizada a 151 quilômetros de Goiânia. A entrada da unidade de conservação está a cerca de 7,3 quilômetros do centro do município. No entanto, é importante notar que, atualmente, o parque passa por um processo de regularização fundiária, o que impõe algumas restrições à visitação.

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informa que a visitação está restrita à Reserva Biológica da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para visitas técnicas, científicas, pedagógicas ou para grupos numerosos, é necessário realizar um agendamento prévio junto à administração da unidade de conservação. Essa medida visa garantir a segurança dos visitantes e a preservação do delicado ecossistema do parque, enquanto os processos de regularização são concluídos.

A Serra Dourada e sua

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo