Viela 36 transforma antigo beco abandonado em refúgio cultural no Setor Marista

Um antigo ponto de descarte irregular de entulhos e insegurança no Setor Marista, em Goiânia, deu lugar a um dos espaços de convivência mais singulares da capital goiana. A Viela 36, inaugurada oficialmente em 14 de setembro, foi totalmente requalificada para priorizar a circulação de pedestres, eliminando o tráfego de veículos e integrando arte, educação e sustentabilidade em pleno coração da cidade.
Um novo conceito de ocupação urbana
O projeto de revitalização foi viabilizado por meio de um processo formal de adoção de logradouro público junto à Prefeitura de Goiânia. A iniciativa foi liderada pela cirurgiã plástica Larissa Fernandes e seu marido, que buscaram transformar a via em um ambiente acolhedor. O local, que antes funcionava como estacionamento improvisado, recebeu nivelamento de piso e um projeto paisagístico que inclui o plantio de 47 árvores, criando um microclima mais ameno para os visitantes.
A proposta vai além da estética. O espaço oferece infraestrutura pensada para a comunidade, incluindo itens de higiene e até fraldas descartáveis para pets, reforçando o caráter pet-friendly do local. Segundo Larissa, a viela funciona como um centro de atividades diversificadas: durante a semana, o foco são os tours pedagógicos para escolas, enquanto os finais de semana são reservados para oficinas de desenho, pintura, olaria, corais e experiências sensoriais gastronômicas.
Arte e memória como pilares da intervenção
A Viela 36 se destaca por funcionar como um museu a céu aberto. Logo na entrada, os visitantes são recepcionados pela escultura em ferro fundido intitulada “Gratidão”, uma peça de aproximadamente 280 quilos criada pela artista plástica Clea Costa, de 80 anos. A obra carrega um valor simbólico, já que Clea é uma antiga moradora que, décadas antes da revitalização, já dedicava esforços ao plantio de árvores na região.
Outro ponto de destaque é o monumental painel de azulejos assinado pelo ceramista Luiz Olinto. A obra detalha a trajetória histórica de Goiás, conectando elementos tradicionais, como as comitivas de carros de boi e a fé em Trindade, ao traçado urbano modernista e art déco que define a identidade arquitetônica de Goiânia. A curadoria das obras busca não apenas decorar o espaço, mas narrar histórias de superação e cultura regional.
Repercussão e o futuro do convívio comunitário
A transformação do local tem gerado reações positivas entre os moradores e visitantes, que utilizam as redes sociais para compartilhar a experiência. Nathalia Souza, que visitou o espaço após conhecer o projeto pela internet, ressalta a importância da democratização do acesso à informação para a ocupação de espaços públicos. Para ela, o maior mérito da intervenção é a recuperação do convívio familiar em um ponto que, anteriormente, era evitado pela população.
A expectativa agora é que o modelo de requalificação urbana da Viela 36 sirva de inspiração para outras regiões da capital. O desejo de que projetos semelhantes alcancem bairros mais afastados do centro reflete uma demanda crescente por áreas de lazer seguras e organizadas. Para acompanhar o desenrolar de iniciativas que impactam a infraestrutura e a cultura goiana, continue lendo O Parlamento, seu portal de referência para notícias relevantes e aprofundadas sobre o que acontece no Brasil.
Para mais detalhes sobre o projeto, confira a reportagem original no g1.




