Congresso promulga PEC que extingue escala 6×1 com presença de Lula

Em uma sessão solene marcada por forte carga política e clima de campanha, o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), promulgou nesta sexta-feira (16) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que coloca fim à escala de trabalho 6×1. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca capitalizar a medida como um dos pilares de sua plataforma de reeleição, visando fortalecer o diálogo com a classe trabalhadora.
A transição para a nova jornada de trabalho
A nova emenda constitucional, de número 141, estabelece a obrigatoriedade de dois dias de folga semanais para trabalhadores formais. A implementação ocorrerá de forma gradual para permitir a adaptação do mercado. Em 60 dias, entra em vigor a primeira etapa, com a redução da jornada semanal máxima de 44 para 42 horas. Após um período de 12 meses, a jornada será reduzida para o patamar definitivo de 40 horas semanais.
A aprovação da matéria foi fruto de uma articulação política robusta, envolvendo o governo, o centrão e setores da oposição. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), atuou como um dos principais fiadores do texto, garantindo que o cronograma especial de votação fosse cumprido em dois turnos na última quarta-feira (14).
Articulação política e o papel de Alcolumbre
O sucesso da PEC no Legislativo reflete uma reaproximação estratégica entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado. Apesar da resistência inicial de parte do empresariado e de setores da oposição, Davi Alcolumbre conduziu o processo legislativo com celeridade. Para o governo, a vitória é vista como um ativo político relevante, especialmente em um momento em que a popularidade entre os trabalhadores é um ponto central na disputa eleitoral.
Aposentadoria especial para agentes de saúde
Além da escala 6×1, a sessão desta sexta-feira também marcou a promulgação da emenda constitucional 140, que institui a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e efetiva vínculos temporários. A categoria, conhecida por sua capilaridade e influência nas bases eleitorais, celebrou a conquista nas galerias do Senado.
A medida, contudo, gerou divergências com a equipe econômica do governo. O Ministério da Fazenda estima um impacto de R$ 30 bilhões aos cofres públicos em uma década, levantando preocupações sobre a sustentabilidade fiscal. O ministro Dario Durigan chegou a sinalizar que o governo poderia recorrer ao Supremo Tribunal Federal caso não houvesse uma definição clara sobre a fonte de custeio para os gastos extras, embora a base governista tenha adotado um tom mais moderado durante a votação final.
O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos da implementação dessas mudanças constitucionais e como elas afetarão a dinâmica do mercado de trabalho e as contas públicas nos próximos meses. Continue conosco para análises aprofundadas sobre as decisões que moldam o futuro do Brasil.




