TJGO tranca ação penal contra coronel Edson Raiado por mortes em Goiânia

A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) decidiu, por unanimidade, encerrar a persecução penal contra o coronel da Polícia Militar, Edson Luis Souza Melo, conhecido como “Raiado”. A decisão, proferida nesta terça-feira (08), anula o prosseguimento de um processo que investigava a morte de três homens durante uma intervenção policial ocorrida em fevereiro de 2023, no Setor Residencial Buena Vista III, em Goiânia.
Decisão unânime e o restabelecimento do arquivamento
O julgamento foi conduzido pelo desembargador Fernando César Rodrigues Salgado, que atuou como relator. Ao acolher o parecer ministerial, o colegiado determinou o trancamento da ação, o que implica no restabelecimento do arquivamento original, decidido inicialmente em agosto de 2023. Com o veredito, perdem o efeito jurídico todos os atos processuais e diligências decorrentes da reabertura do inquérito, que havia sido autorizada em setembro de 2024.
Acompanharam o voto do relator os desembargadores Sival Guerra Pires e Linhares de Camargo, além do juiz substituto Sebastião José de Assis Neto. A defesa, representada pelo advogado Caio Alcântara Pires Martins, sustentou que o caso já havia sido julgado sob a ótica da legítima defesa, configurando uma situação de coisa julgada que impedia a retomada das investigações sem a apresentação de provas novas e substanciais.
Contexto da intervenção policial e controvérsias
O episódio que deu origem à ação ocorreu em 17 de fevereiro de 2023, durante uma operação de combate ao tráfico de drogas. Na época, a equipe da Polícia Militar relatou ter sido recebida a tiros pelos suspeitos, o que teria motivado a reação dos agentes. A investigação inicial, conduzida pelas autoridades policiais, concluiu pela ocorrência de legítima defesa, tese que foi corroborada pelo Ministério Público à época, resultando no pedido de arquivamento acatado pela Justiça.
A controvérsia jurídica ganhou novos contornos em abril de 2026, quando o Ministério Público ofereceu denúncia contra o coronel Edson Raiado e o corréu Renyson Castanheira Silva por homicídio qualificado. A defesa, contudo, questionou a validade das novas diligências. Um dos pontos centrais do debate foi o exame residuográfico, que apresentou resultado negativo para uma das vítimas. Os advogados argumentaram que a coleta do material foi prejudicada, uma vez que o corpo já havia passado por procedimentos de necropsia, além de apontarem supostas falhas na cadeia de custódia das provas.
Relevância do precedente jurídico
O desfecho deste caso reforça a importância da estabilidade das decisões judiciais em inquéritos policiais. A tese vencedora no TJGO destacou que, uma vez reconhecida a legítima defesa e arquivado o inquérito, a reabertura do caso exige critérios rigorosos. A decisão desta semana encerra, portanto, um longo período de incerteza jurídica para os envolvidos, reafirmando o entendimento de que a interpretação dos elementos probatórios deve respeitar os limites da coisa julgada.
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