Lula critica Flávio Bolsonaro após nova ameaça de tarifaço comercial dos EUA contra o Brasil

Tensões diplomáticas e o impacto do tarifaço
O cenário econômico brasileiro enfrenta um momento de incerteza após o governo de Donald Trump propor a aplicação de um novo tarifaço de 25% sobre bens importados do Brasil. A medida, que repercutiu negativamente no Palácio do Planalto, foi o centro das atenções durante a agenda do presidente Lula (PT) em Catalão, Goiás, nesta terça-feira (2). O presidente aproveitou a ocasião para subir o tom contra a oposição, focando suas críticas no senador Flávio Bolsonaro (PL).
A proposta de sobretaxa é um desdobramento da investigação da seção 301, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O órgão aponta supostas práticas comerciais injustas por parte do Brasil, abrangendo desde o sistema de pagamentos Pix até questões ligadas ao desmatamento e propriedade intelectual. O governo estima que, caso concretizada, a medida pode impactar 21% das exportações nacionais destinadas ao mercado norte-americano.
Acusações de traição e o papel da oposição
Em seu discurso, Lula associou diretamente a movimentação do governo norte-americano a uma suposta articulação política de Flávio Bolsonaro. O presidente afirmou que o senador teria buscado interferência estrangeira nas decisões soberanas do país após uma reunião recente com Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA. O chefe do Executivo não poupou adjetivos, classificando o parlamentar como “imbecil” e “traidor da pátria”.
O presidente ainda relembrou episódios passados, citando que o filho do ex-presidente teria celebrado sanções anteriores impostas pelos Estados Unidos em 2025. “São vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras”, declarou Lula. A retórica presidencial buscou enfatizar que as ações da oposição, ao tentar desgastar o governo, acabam por prejudicar setores estratégicos como o agronegócio e a indústria nacional.
Repercussão jurídica e o “apito de cachorro”
A resposta de Flávio Bolsonaro não tardou. Em cerimônia na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o senador refutou as acusações e alegou que sua atuação junto aos EUA visava justamente evitar prejuízos ao país. O parlamentar foi além, sugerindo que as declarações do presidente funcionam como um “apito de cachorro” — uma mensagem codificada que poderia incitar facções criminosas contra sua integridade física.
Diante da gravidade das falas, a equipe jurídica do senador confirmou a intenção de levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). A ação deve acusar o presidente de crimes de ameaça e incitação ao crime. O embate político, que já se desenha como um dos eixos centrais da disputa eleitoral de outubro, reflete a polarização profunda que marca as relações entre o governo federal e a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Defesa do Pix e agenda em Goiás
Apesar da tensão diplomática, Lula manteve o foco em sua agenda de inaugurações no interior de Goiás. Em Catalão e Rio Verde, o presidente defendeu a soberania do sistema Pix, que tem sido alvo de questionamentos por parte de setores conservadores nos EUA. Ao erguer um cartaz com a frase “o pix é do Brasil”, o presidente ironizou as preocupações norte-americanas, sugerindo que o mecanismo deveria ser adotado globalmente pela sua eficiência.
O governo agora aguarda o relatório definitivo do USTR, previsto para 15 de julho, que determinará a aplicação efetiva das tarifas. Enquanto a diplomacia busca caminhos para reverter o cenário, o embate interno segue escalando. Continue acompanhando O Parlamento para obter análises aprofundadas, coberturas em tempo real e o contexto completo dos fatos que moldam a política e a economia brasileira.




