Valéria Ribeiro, dentista presa em Goiânia, tem novas denúncias por deformar pacientes

A prisão da dentista Valéria Ribeiro, de 33 anos, na última quinta-feira (28), em Goiânia, desencadeou uma onda de novas denúncias que ampliam o escopo da investigação sobre procedimentos odontológicos invasivos e supostas deformações em pacientes. O caso, que já vinha sendo apurado pela Polícia Civil (PC) desde 2024, ganhou novos contornos com a adesão de mais vítimas, elevando o alerta sobre a segurança e a regulamentação de intervenções estéticas na área da saúde. A profissional é acusada de causar lesões graves e permanentes, gerando preocupação entre a população e os órgãos de fiscalização.
A Prisão e o Aumento das Denúncias
Valéria Ribeiro foi detida pela Polícia Civil durante uma operação que contou com o apoio da Vigilância Sanitária, resultando na interdição de sua clínica no Setor Bueno. A ação policial, ocorrida na quinta-feira, 28 de maio, foi um marco na apuração de um caso que já acumulava relatos preocupantes. Após a prisão, o número de vítimas que buscaram a PC para formalizar queixas contra a dentista saltou significativamente. De acordo com o delegado Wladimir Freire, ao menos seis novas pessoas procuraram as autoridades, elevando para 13 o total de pacientes com sequelas que se manifestaram até o momento. Este aumento demonstra a repercussão do caso e a confiança das vítimas na investigação em curso, que teve sua prisão mantida pela Justiça em audiência de custódia realizada na sexta-feira (29).
Procedimentos Invasivos e Sequências Preocupantes
A investigação da Polícia Civil detalha que Valéria Ribeiro realizava uma série de procedimentos estéticos e cirúrgicos que, em muitos casos, extrapolavam sua área de atuação ou eram executados sem a devida autorização e qualificação. Entre as intervenções citadas estão a rinoplastia (remodelação do nariz), bichectomia (remoção parcial das bochechas), lipoaspiração de papada e cirurgias bucomaxilofaciais. As consequências para os pacientes foram severas, incluindo infecções, deformidades, fibroses, necroses e cicatrizes permanentes. Em um dos relatos mais alarmantes, uma paciente chegou a ter seu estado de saúde tão comprometido que quase necessitou de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo tratada pela própria Valéria em sua residência. As apurações também indicam que a dentista chegou a interromper um atendimento para consultar uma pessoa não identificada sobre como proceder em uma intervenção cirúrgica que estava executando.
Irregularidades e a Posição do Conselho de Odontologia
As apurações da Polícia Civil revelaram que, no período em que muitos desses procedimentos foram realizados, Valéria Ribeiro não possuía a autorização necessária para executá-los, especialmente os mais invasivos. O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) esclareceu, em nota, que embora cirurgiões-dentistas possam realizar certos procedimentos estéticos e cirúrgicos faciais — como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia —, isso é permitido apenas mediante comprovação de especialidade na área. O CROGO confirmou que a profissional possui registro ativo, mas acompanha os desdobramentos do caso, reforçando a importância da qualificação e da conformidade com as normas éticas e técnicas. Além disso, vítimas relataram à polícia sobre procedimentos prolongados, alguns com duração superior a 12 horas, que ocorriam em sala odontológica comum, além da ausência de condições sanitárias adequadas, falhas na esterilização de materiais e insuficiência de acompanhamento anestésico.
Desdobramentos da Investigação e Medidas Legais
A operação que levou à prisão da dentista em Goiânia não se limitou à detenção da profissional. Durante o cumprimento dos mandados judiciais, foram realizadas buscas na clínica e em endereços residenciais ligados à investigada. A ação resultou na apreensão de documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários de pacientes e equipamentos, todos considerados de interesse para a continuidade das investigações. Além da prisão preventiva, a Justiça determinou o sequestro de bens patrimoniais e um valor de R$ 600 mil, visando garantir eventuais reparações e coibir a continuidade das atividades irregulares. Uma funcionária da clínica também foi presa em flagrante por tentar obstruir os mandados, escondendo produtos e objetos, conforme o delegado William Bretz. A Polícia Civil investiga indícios de exercício ilegal da medicina, funcionamento irregular do estabelecimento e a utilização de técnicas vedadas pelas normas de fiscalização profissional, reforçando o compromisso com a segurança e a saúde pública. A defesa da dentista informou, inicialmente, que não tinha acesso integral ao processo, e a reportagem não conseguiu localizar a nova defesa da profissional. Para mais informações sobre as diretrizes do Conselho, acesse o site oficial do CROGO.
O caso da dentista presa em Goiânia ressalta a importância da vigilância e da busca por profissionais qualificados e devidamente regulamentados. Para se manter informado sobre este e outros temas relevantes que impactam o seu dia a dia, continue acompanhando O Parlamento. Nosso portal oferece cobertura aprofundada e contextualizada sobre os principais acontecimentos locais, regionais e nacionais, com o compromisso de trazer informação de qualidade e credibilidade.

