Lutador investigado por agressão a adolescente se entrega em Trindade após cortar tornozeleira

O lutador Rafael Gomes Pereira, que havia sido alvo de um mandado de prisão preventiva, entregou-se à polícia na noite da última quinta-feira, 4 de junho de 2026, na cidade de Trindade, Região Metropolitana de Goiânia. A rendição ocorreu após horas de fuga, durante as quais ele rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava. A decisão judicial que levou à sua prisão foi motivada por agressão a um adolescente e pelo descumprimento reiterado de medidas cautelares impostas anteriormente.
A ação da polícia foi desencadeada após o juiz Giuliano Morais Alberici, da 2ª Vara Criminal dos crimes contra vítimas hipervulneráveis e crimes de trânsito de Goiânia, decretar a prisão preventiva de Pereira. A medida foi tomada em resposta ao flagrante de que o lutador estava monitorando a família da vítima, violando a ordem judicial de manter uma distância mínima de 300 metros dos familiares, entre outras determinações.
Descumprimento de Medidas e a Fuga do Monitoramento
As medidas cautelares haviam sido estabelecidas em uma audiência de custódia anterior, visando garantir a segurança do adolescente agredido e de sua família. No entanto, Rafael Gomes Pereira foi flagrado desrespeitando essas condições, o que foi prontamente noticiado e levou ao pedido de prisão preventiva pela autoridade policial da Central Geral de Flagrantes e Pronto Atendimento ao Cidadão da capital, com parecer favorável do Ministério Público de Goiás (MPGO).
Ao ser comunicado por sua defesa sobre a existência do mandado de prisão, assinado digitalmente às 15h23 do dia 4 de junho, o lutador optou por violar o sistema de monitoramento eletrônico. Ele cortou o dispositivo e permaneceu com paradeiro desconhecido por toda a tarde, tornando-se um foragido da justiça. A fuga gerou uma mobilização das autoridades para localizá-lo e garantir o cumprimento da ordem judicial.
A Análise Judicial e a Fundamentação da Prisão Preventiva
A decisão do juiz Giuliano Morais Alberici destacou a gravidade da situação. O magistrado fundamentou a prisão preventiva na reiteração do descumprimento das ordens judiciais e na própria natureza dos crimes imputados ao atleta. Rafael Gomes Pereira é investigado por lesão corporal, conforme o Artigo 129 do Código Penal, e por corrupção de menores, previsto no Artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Em sua decisão, o juiz ressaltou que a cumulação das penas máximas abstratas e a natureza das infrações, que envolvem violência contra um adolescente e corrupção de menores, justificam a segregação cautelar. Ele observou que o somatório dos delitos dolosos imputados supera o patamar de quatro anos, o que, aliado aos demais fundamentos, autoriza a prisão para a garantia da ordem pública e a conveniência da instrução criminal.
Entrega em Trindade Após Negociação da Defesa
Após horas de incerteza sobre seu paradeiro, a defesa de Rafael Gomes Pereira conseguiu intermediar sua entrega. O lutador foi convencido por seus advogados a se apresentar na delegacia de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, no início da noite de quinta-feira. A defesa afirmou que ele está colaborando com a justiça e que solicitará sua soltura nas próximas horas, embora a prisão preventiva tenha sido decretada.
Com a prisão efetuada fora da jurisdição do juiz processante, a Polícia Civil de Trindade deverá formalizar o registro e comunicar imediatamente tanto o magistrado de Goiânia quanto a autoridade judicial local. Esse procedimento é crucial para que sejam tomadas as providências necessárias para a realização de uma nova audiência de custódia, onde a situação do lutador será reavaliada.
Implicações Legais e a Proteção de Vítimas Hipervulneráveis
O caso de Rafael Gomes Pereira sublinha a seriedade com que o sistema judiciário trata o descumprimento de medidas cautelares, especialmente quando envolve a proteção de vítimas hipervulneráveis, como crianças e adolescentes. A violação da tornozeleira eletrônica e a tentativa de fuga representam um desafio direto à autoridade judicial e à eficácia das ferramentas de monitoramento.
Além de determinar o recolhimento imediato do lutador a uma unidade prisional, o juízo de Goiânia determinou o envio de cópias da decisão para outros processos vinculados ao investigado. Também oficiou a 1ª Vara de Hipervulneráveis da capital para informar sobre os novos fatos, dada a existência de registros anteriores envolvendo o atleta, reforçando a necessidade de uma análise aprofundada de seu histórico legal.
Para se manter sempre atualizado sobre os desdobramentos deste e de outros casos relevantes, acompanhe O Parlamento. Nosso portal oferece informação relevante, atual e contextualizada, com um compromisso inabalável com a credibilidade e a qualidade jornalística em diversas áreas.


