Polícia investiga esquema de entrega ilegal de crianças em Goiás e no Distrito Federal

A investigação sobre o suposto tráfico de crianças
Uma operação conduzida pela Polícia Civil de Goiás revelou um cenário preocupante em Novo Gama, cidade situada no Entorno do Distrito Federal. Duas mulheres foram presas sob a suspeita de envolvimento em um esquema de entrega irregular de crianças para famílias residentes em São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. O caso, que ganhou contornos de complexidade ao longo das apurações, levanta questionamentos sobre a fragilidade dos processos de adoção e a possível mercantilização da vida humana.
A investigação teve início em maio de 2025, após a denúncia de um pai que buscava, há dois anos, o direito de conviver com a filha de 2 anos. Segundo o relato do genitor à TV Anhanguera, mesmo com decisões judiciais que estipulavam o regime de visitas e pensão alimentícia, ele conseguiu ver a criança apenas quatro vezes no período. A frustração com o descumprimento das ordens judiciais foi o ponto de partida para que as autoridades voltassem os olhos para a rotina da mãe.
A descoberta de uma bebê e o desdobramento do caso
Após o pai recorrer ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público, uma equipe do Fórum de Novo Gama realizou uma diligência na residência da suspeita. Durante a vistoria, os agentes encontraram uma bebê de 7 meses escondida em um quarto nos fundos da propriedade. Embora as mulheres presentes no local tenham alegado que a criança seria filha de uma vizinha, a presença de diversos suprimentos, como latas de leite e um carrinho de bebê, despertou a desconfiança dos profissionais.
O conselheiro tutelar Maison Alexandre Alves confirmou que, após a intervenção, o pai conseguiu a guarda da criança, e o caso foi encaminhado para a esfera criminal. A partir desse flagrante, a polícia aprofundou as investigações, descobrindo que o padrão de entrega de crianças poderia ser recorrente. A suspeita é de que quatro crianças tenham sido entregues a famílias diferentes ao longo de uma década, todas sendo filhas da mesma mulher.
Contexto e versões sobre as adoções
A delegada responsável pelo caso, Wanessa Marinho, reforçou que a maternidade das crianças está comprovada por meio de certidões de nascimento e registros históricos. A investigação apura agora se houve negociação financeira para a entrega dos menores, embora as famílias que receberam as crianças tenham negado qualquer pagamento em depoimentos prestados à polícia.
As justificativas apresentadas pelas famílias são variadas. Em São Paulo, uma mulher afirmou que desejava ser mãe, mas não podia gerar filhos, e teria recebido duas crianças. No Distrito Federal, a justificativa foi baseada em uma suposta comoção social, enquanto em Goiás, a envolvida alegou um parentesco distante. A defesa de Camila Penha Rocha e Luciene Pereira de Souza, em nota, afirmou que as investigações correm em sigilo e que os fatos estão sendo apurados, sem que haja, neste momento, responsabilidade comprovada das investigadas.
A importância da legalidade na adoção
O caso em Novo Gama serve como um alerta para a importância dos trâmites legais previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A adoção, quando feita fora dos parâmetros do Poder Judiciário, coloca em risco a segurança jurídica e o bem-estar dos menores envolvidos. A Polícia Civil segue trabalhando para esclarecer se há uma rede organizada por trás dessas entregas ou se tratam-se de casos isolados de negligência e irregularidade.
O Parlamento continua acompanhando o desenrolar das investigações e os desdobramentos judiciais deste caso. Para se manter informado sobre os principais acontecimentos do país, com a seriedade e o rigor que a notícia exige, continue acompanhando nosso portal e nossas atualizações diárias.



