Saúde

Ebola: novo surto do vírus Bundibugyo na África Central é declarado emergência internacional pela OMS

A República Democrática do Congo (RDC) e Uganda enfrentam um novo desafio de saúde pública com a declaração oficial do 17º surto de ebola no território congolês e a confirmação de casos em Uganda. A situação, desencadeada pelo vírus Bundibugyo, uma das variantes do ebola, levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificar o evento como uma emergência em saúde pública de importância internacional, sublinhando a gravidade e o potencial de disseminação da doença.

O alerta inicial surgiu no início do mês, quando autoridades sanitárias da RDC identificaram um surto de alta mortalidade em Mongbwalu, na província de Ituri, causado por uma doença então desconhecida. A preocupação aumentou com o registro de mortes entre profissionais de saúde, um indicador alarmante da virulência e do risco de contágio. A confirmação laboratorial do vírus Bundibugyo, realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa, em 8 das 13 amostras analisadas, solidificou a necessidade de uma resposta coordenada e urgente.

A Emergência do Vírus Bundibugyo na África Central

A declaração oficial do 17º surto de ebola na RDC pelo Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social marcou um ponto crítico. Simultaneamente, o Ministério da Saúde de Uganda confirmou um surto do Bundibugyo, após a identificação de um caso importado: um cidadão congolês que faleceu na capital ugandense, Kampala. Essa interligação geográfica ressalta a complexidade da contenção em regiões de fronteira e a necessidade de cooperação entre os países.

O vírus Bundibugyo é uma das seis espécies de Orthoebolavirus identificadas, e, assim como os tipos Ebola e Sudão, é conhecido por causar grandes surtos. A taxa de letalidade média do ebola é de aproximadamente 50%, mas em surtos anteriores, a OMS registrou taxas que chegaram a 90%, evidenciando o perigo inerente a essa enfermidade.

A Resposta Global e o Papel Crucial da Comunidade

Diante do cenário, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, após consulta com ambos os Estados-Membros afetados, elevou o status do surto para emergência em saúde pública de importância internacional. Essa classificação mobiliza recursos e coordenação globais, reforçando a urgência da situação.

A OMS enfatiza que o engajamento da comunidade é fundamental para o controle bem-sucedido de qualquer surto de ebola. As intervenções incluem uma série de ações integradas: assistência clínica, vigilância e rastreamento de contatos, serviços laboratoriais robustos, prevenção e controle de infecções em unidades de saúde, e a prática de sepultamentos seguros. Além disso, medidas como o envio de equipes de resposta rápida, fornecimento de suprimentos médicos e a criação de centros de tratamento seguros são essenciais para mitigar a propagação do vírus.

Compreendendo o Ebola: Um Vírus de Alta Letalidade

O ebola é uma enfermidade rara, porém grave, frequentemente fatal, que afeta humanos e outros primatas. O vírus é transmitido aos humanos por animais selvagens, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos. A transmissão de pessoa para pessoa ocorre por meio do contato direto com secreções, sangue, órgãos ou outros fluidos corporais de pacientes infectados, vivos ou mortos. O contágio também pode se dar por meio do contato com superfícies e materiais contaminados, como roupas de cama e vestuário.

O reservatório animal exato dos vírus ebola ainda é desconhecido, mas as evidências atuais apontam para os morcegos frugívoros (Pteropodidae) como possíveis hospedeiros. O surto de ebola registrado entre 2014 e 2016 na África Ocidental é classificado pela OMS como o maior e mais complexo desde a descoberta do vírus em 1976, com um número de casos e mortes superior a todos os surtos anteriores combinados e uma disseminação transfronteiriça significativa.

Sintomas, Diagnóstico e os Desafios da Identificação

O período de incubação do ebola, que é o intervalo entre a infecção e o início dos sintomas, varia de dois a 21 dias. É importante ressaltar que a pessoa infectada não transmite a doença até desenvolver os primeiros sinais. Os sintomas podem surgir repentinamente e incluem febre, fadiga, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Posteriormente, podem aparecer vômitos, diarreia, dor abdominal, erupções cutâneas e sinais de comprometimento das funções renais e hepáticas. Em casos menos frequentes, podem ocorrer sangramentos internos e externos.

A OMS alerta que pode ser difícil distinguir clinicamente o ebola de outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide, dengue ou febre de Marburg. Por essa razão, a confirmação da presença do vírus requer exames laboratoriais específicos. Mesmo quando os sintomas são semelhantes, apenas um teste pode determinar se a causa é o ebola.

Tratamento e Prevenção: Estratégias e Lacunas Atuais

O tratamento intensivo precoce, que inclui a reidratação com fluidos orais ou intravenosos e o manejo de sintomas específicos, melhora significativamente a sobrevida dos pacientes. Para a Doença do Vírus Ebola (DEV), a OMS recomenda o tratamento com anticorpos monoclonais. Duas vacinas, Ervebo e Zabdeno/Mvabea, foram aprovadas para a DEV, sendo a Ervebo recomendada como parte da resposta a surtos identificados.

No entanto, para outras doenças causadas pelo ebola, como é o caso do vírus Bundibugyo, ainda não existem terapias aprovadas, o que intensifica a urgência da pesquisa e desenvolvimento. As medidas de prevenção para a população incluem evitar contato físico com indivíduos suspeitos ou confirmados, não manusear corpos de pessoas que morreram com sintomas de ebola sem precauções adequadas, e lavar as mãos regularmente. Para conter a infecção por animais, recomenda-se evitar comer animais mortos ou tocá-los sem proteção, lavar bem as mãos após contato com animais ou produtos de origem animal, e cozinhar bem esses produtos antes do consumo. Profissionais de saúde, cuidadores e pessoas em contato direto com corpos durante funerais são considerados de maior risco.

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