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Idosa se ajoelha diante de máquina em protesto contra desapropriação para obra da Go-330

A imagem de uma idosa ajoelhada diante de uma máquina pesada, em um gesto de súplica e resistência, viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre as desapropriações para obras públicas em Goiás. Maria da Paz, de 78 anos, foi flagrada na sexta-feira (29) em sua fazenda, tentando impedir o avanço de um equipamento que faz parte das obras de duplicação da GO-330, no trecho entre Catalão e Ipameri.

desapropriação: cenário e impactos

O episódio, carregado de simbolismo, expõe o drama de dezenas de proprietários rurais afetados por um projeto de infraestrutura que, embora considerado estratégico para o desenvolvimento regional, gera conflitos e questionamentos sobre a justiça das indenizações e o respeito aos direitos dos cidadãos. A obra, executada pelo Governo de Goiás, representa um investimento total estimado em cerca de R$ 400 milhões.

O drama de Maria da Paz e a luta pela terra

O vídeo que circula amplamente mostra Maria da Paz visivelmente abalada, suplicando para que as máquinas se retirem de sua propriedade. Para ela, a fazenda não é apenas um pedaço de terra, mas o lar onde vive há 44 anos, onde criou seus filhos e de onde sua família tira o sustento, principalmente da produção de queijos e da criação de vacas. A conexão emocional e histórica com o local é palpável em seu ato de desespero.

A principal preocupação da idosa, segundo João Paulo Nogueira da Silva, integrante da Comissão de Proprietários Atingidos pela Duplicação da GO-330, é que as máquinas avancem além da área estritamente necessária para a rodovia, utilizando partes da fazenda para a extração de cascalho. A propriedade de Maria da Paz possui 24 mil hectares, dos quais 36,84% seriam desapropriados para a obra, um impacto significativo em sua subsistência.

O contexto das desapropriações e a voz dos proprietários

O caso de Maria da Paz não é isolado. A duplicação da GO-330 afeta um total de 46 proprietários que terão áreas desapropriadas. A Comissão de Proprietários Atingidos tem sido a voz desses fazendeiros, que alegam diversas irregularidades e injustiças no processo. De acordo com João Paulo Nogueira da Silva, muitos produtores ainda não receberam propostas formais de indenização, nem os respectivos laudos de vistoria técnica, fundamentais para uma negociação transparente.

A Comissão reitera que não é contra o desenvolvimento da região ou a duplicação da rodovia, mas exige que o direito constitucional à justa e prévia indenização seja respeitado. O grupo defende que as compensações oferecidas até o momento não refletem o valor real de mercado das propriedades rurais, levando a um impasse que afeta diretamente a vida e o patrimônio dessas famílias. Dados levantados pela Comissão indicam que apenas dois proprietários concluíram formalmente acordos com o Estado até o momento.

A posição da Goinfra e a justificativa da obra

Em meio à controvérsia, a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), responsável pela obra, emitiu uma nota anterior, na manhã de quinta-feira (28), afirmando que o tráfego na GO-330 havia sido liberado após uma manifestação de fazendeiros que bloquearam um trecho da rodovia na noite de quarta-feira (27) até a manhã de quinta-feira (28). A agência declarou que, desde o início do processo, buscou uma solução consensual para as desapropriações necessárias.

A Goinfra argumenta que a maior parte dos proprietários aderiu ao acordo proposto pelo Estado, com indenizações já pagas. Para os casos em que as negociações extrajudiciais não avançam ou há litígios judiciais, a agência informa que ingressou com ações judiciais fundamentadas no Decreto-Lei nº 3.365/1941, que regulamenta desapropriações por utilidade pública. Nesses casos, a Justiça defere a emissão definitiva da posse das áreas, a Goinfra efetiva o depósito judicial e o mandado é cumprido por oficial de justiça.

A duplicação da GO-330 é apresentada pelo governo como uma demanda histórica da população e de importância estratégica para a mobilidade e o desenvolvimento econômico da região, beneficiando municípios como Catalão, Ipameri e Pires do Rio. A obra está dividida em etapas, com a primeira fase abrangendo 11,7 quilômetros entre o Posto Policial de Catalão e o trevo da GO-305, com investimento superior a R$ 123 milhões. A segunda etapa contempla 18,6 quilômetros entre o trevo de Goiandira (GO-305) e a ponte sobre o Rio Veríssimo, com investimento estimado em R$ 175,6 milhões.

Repercussão e o impasse continua

O ato de Maria da Paz, capturado em vídeo, tornou-se um símbolo da resistência e da complexidade envolvida em grandes projetos de infraestrutura que impactam diretamente a vida de comunidades. A repercussão nas redes sociais amplificou a discussão sobre o equilíbrio entre o progresso e o respeito aos direitos individuais e à dignidade das famílias afetadas. O g1 entrou em contato com a Goinfra para obter um posicionamento sobre o caso específico de Maria da Paz, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

O impasse entre os proprietários e o poder público persiste, com a Comissão de Proprietários buscando uma negociação justa e a Goinfra reafirmando seu compromisso com a legalidade, a transparência e o diálogo, enquanto busca assegurar a continuidade de uma obra que considera fundamental. A situação de Maria da Paz e dos demais fazendeiros da GO-330 continua a ser um ponto de atenção, evidenciando os desafios inerentes ao desenvolvimento regional e à proteção dos direitos dos cidadãos.

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