Início/Saúde/Isenção do imposto de renda: lei desatualizada ignora doenças raras e pessoas com deficiência Saúde Isenção do imposto de renda: lei desatualizada ignora doenças raras e pessoas com deficiência Yule Alves Vargas2 semanas atrás Menos de um minuto © Tomaz Silva/Agência Brasil Ministério da Saúde como aquelas que afetam até 65 pessoas a cada 100 mil. Enquanto o mundo reconhece cerca de 8 mil dessas condições, a lista de doenças que garantem isenção de IR no Brasil é limitada a apenas 16 itens, com poucas classificadas como raras. Essa discrepância expõe uma lacuna legislativa que desconsidera a complexidade e o impacto financeiro de inúmeras patologias. O desafio da legislação e a evolução dos diagnósticos A Lei 7.713, de 1988, é a base para a concessão da isenção do imposto de renda. Seu texto, literal e restritivo, não oferece margem para interpretações amplas que pudessem englobar o espectro crescente de doenças diagnosticadas atualmente. Essa rigidez contrasta com a evolução da ciência e da medicina, que, ao longo das últimas décadas, aprimorou a capacidade de identificar e classificar condições que antes eram desconhecidas ou mal compreendidas. A ausência de atualização na lista de doenças elegíveis para isenção reflete uma realidade que não acompanha o avanço médico. Muitos pacientes com doenças raras ou deficiências severas, cujas condições exigem tratamentos contínuos, medicamentos de alto custo e adaptações significativas em suas vidas, veem-se privados de um alívio fiscal que poderia mitigar parte de seus encargos financeiros. A questão, portanto, transcende a esfera tributária e toca diretamente na qualidade de vida e na dignidade dessas pessoas. Precedentes jurídicos e a busca por justiça tributária Diante da rigidez da lei, a via judicial tem se mostrado um caminho para alguns avanços. O advogado especialista em Direitos das Pessoas com Deficiência, Thiago Helton, em entrevista ao podcast VideBula da Radioagência Nacional, destaca um importante precedente. Ele cita a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que incluiu pessoas com visão monocular no conceito de cegueira para fins de isenção. Segundo Helton, o STJ não fez uma interpretação extensiva da lei, mas sim uma leitura que reconheceu que o legislador de 1988 não especificou se a cegueira deveria ser parcial ou total. Essa abordagem permitiu que a cegueira parcial, como a visão monocular, fosse contemplada. “Isso fez com que as pessoas com visão monocular passassem a ter o direito”, explica o advogado, indicando que essa releitura pode abrir portas para novos questionamentos e interpretações que busquem adequar a lei à realidade atual. A mobilização social como motor de mudança Apesar do precedente do STJ, a realidade é que, para fins de isenção do imposto de renda, a doença em si, sua raridade, gravidade ou o Código Internacional de Doenças (CID) não são suficientes. O que prevalece é o enquadramento estrito na lista geral da lei, como reforça Thiago Helton. Ele ressalta que muitas doenças raras possuem um impacto funcional, social e financeiro muito maior do que algumas das condições atualmente listadas, evidenciando a urgência de uma revisão legislativa. O auditor-fiscal da Receita Federal, José Carlos Fernandes da Fonseca, corrobora a necessidade de atualização das leis e enfatiza o papel da população nesse processo. “Quem cria a lei são os nossos representantes do povo, que são eleitos, e a gente deve se manter vigilante”, lembra Fonseca. A mobilização da sociedade civil, por meio de associações de pacientes, grupos de advocacy e a pressão sobre os legisladores, é fundamental para impulsionar as mudanças necessárias e garantir que a legislação tributária reflita os avanços da medicina e os princípios de justiça social. A discussão sobre a atualização da lei de isenção do imposto de renda para doenças raras e pessoas com deficiência é um tema de grande relevância social. Acompanhar os desdobramentos dessa pauta é essencial para entender como o Brasil pode avançar na garantia de direitos e na promoção de uma sociedade mais inclusiva. Continue acompanhando O Parlamento para se manter informado sobre este e outros temas cruciais que impactam a vida dos cidadãos, com análises aprofundadas e informação de qualidade. Etiquetasavanço deficiência direitos doenças imposto isenção justiça legislação médico raras renda tributário tributos Yule Alves Vargas2 semanas atrás Menos de um minuto Facebook Twitter Linkedin Tumblr Pinterest Reddit VK Compartilhar via e-mail Imprimir