Serial killer Corumbá: a trajetória de crimes que chocou o Brasil e o mundo

O modus operandi de um criminoso que se passava por artesão
O nome de José Vicente Matias, amplamente conhecido como “Corumbá”, tornou-se sinônimo de terror e brutalidade no início dos anos 2000. Natural de Firminópolis, no interior de Goiás, o homem construiu uma fachada inofensiva para atrair suas vítimas: apresentava-se como um artesão itinerante, profissão que lhe permitia transitar por diversos estados brasileiros sem levantar suspeitas imediatas. Sob essa máscara, ele ocultava uma compulsão predatória que vitimou seis mulheres entre 1999 e 2005.
A investigação dos crimes revelou um padrão perturbador. O assassino focava, em grande parte, em turistas que visitavam regiões de natureza ou pontos turísticos do país. A crueldade ia além do ato de matar; relatos do Ministério Público apontam que, em diversos casos, o criminoso realizava rituais macabros, que incluíam a ingestão do sangue das vítimas. Em um dos episódios mais bárbaros, registrado no Maranhão, testemunhas e autoridades descreveram que ele chegou a dançar ao redor de uma fogueira após tirar a vida da turista espanhola Núria Fernandez Collada.
A cronologia das vítimas e a repercussão internacional
A série de assassinatos deixou um rastro de dor que atravessou fronteiras, atraindo a atenção de jornais internacionais, como o britânico The Guardian, que acompanhou de perto a busca pelo responsável pela morte de Núria Fernandez. A lista de vítimas, conforme apurado pelas autoridades judiciárias, reflete a mobilidade do criminoso pelo território nacional:
- Natália Canhas Carneiro (1999), em Três Marias (MG);
- Simone Lima Pinho (2000), em Lençóis (BA);
- Lidiane Vieira Melo (2004), em Goiânia (GO);
- Katryn Rakitov (2004), em Pirenópolis (GO);
- Maryanne Kern (2004), em Barreirinhas (MA);
- Nuria Fernandez Collada (2005), em Alcântara (MA).
O desdobramento judicial e a situação atual
O processo de responsabilização penal de José Vicente Matias foi complexo, dado que os crimes ocorreram em diferentes estados, exigindo uma articulação entre diversas instâncias do Poder Judiciário. Em Goiás, ele enfrentou julgamentos marcantes, como o caso da morte de Katryn Rakitov, em Pirenópolis. Inicialmente condenado por latrocínio, o caso foi revisto em 2016, resultando em uma pena de 24 anos após a desqualificação do crime. Pela morte de Lidiane Vieira Melo, foi sentenciado a 23 anos de reclusão por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Embora tenha confessado a autoria de cinco dos seis homicídios, a totalização exata de sua pena permanece um desafio burocrático para os tribunais, devido à antiguidade dos processos e à dispersão geográfica das condenações. Atualmente, o condenado segue cumprindo pena na Penitenciária Coronel Odenir Guimarães (POG), em Aparecida de Goiânia. A defesa do detento não foi localizada para comentar o status atual das execuções penais.
O caso “Corumbá” permanece como um marco sombrio na crônica policial brasileira, servindo como lembrete sobre a importância da vigilância e da cooperação interestadual no combate a crimes em série. Para continuar acompanhando reportagens aprofundadas sobre segurança pública, justiça e os fatos que impactam a sociedade brasileira, siga as atualizações aqui em O Parlamento, onde mantemos o compromisso com a informação precisa e contextualizada.




