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Governo de Goiás troca empresas sob suspeita em hospitais geridos por organização social

Uma reportagem de repercussão nacional trouxe à tona novas irregularidades na gestão da saúde pública em Goiás. Conforme apurado, hospitais estaduais administrados pela organização social Imed realizaram a substituição de empresas anteriormente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por uma nova prestadora de serviços que, atualmente, é alvo de investigações da Polícia Federal.

Contratações sob suspeita na rede estadual

A empresa contratada para fornecer mão de obra médica em unidades de saúde de Formosa, Uruaçu e Trindade é a Fabermed FMC. A companhia tem entre seus sócios a médica Gleycianne França, que figura como investigada em um inquérito que tramita na Polícia Federal e no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A suspeita que recai sobre a sócia envolve a suposta participação em esquemas de simulação de concorrências no setor de saúde.

Os contratos firmados com a Fabermed FMC alcançam o montante de R$ 8,9 milhões mensais. Um ponto que chama a atenção em documentos oficiais é a estreita margem de diferença em um dos processos de seleção, onde a empresa venceu a segunda colocada por uma diferença de apenas R$ 770. O cenário levanta questionamentos sobre a transparência e a lisura dos processos de escolha realizados pela organização social.

O histórico da Imed e o volume de recursos

A Imed, responsável pela gestão das unidades hospitalares sob tutela do governo estadual, tem sido alvo de críticas constantes devido à recorrência de polêmicas envolvendo seus parceiros comerciais. Dados indicam que, entre 2020 e 2025, a organização social recebeu cerca de R$ 1,7 bilhão em repasses públicos para operar hospitais em Goiás. A continuidade da parceria entre a gestão estadual e a organização, apesar das sucessivas denúncias de irregularidades, tem gerado pressão por explicações mais detalhadas por parte do Executivo.

A situação dos hospitais estaduais reflete um desafio complexo na administração pública regional, onde a eficiência na aplicação de recursos é frequentemente questionada por órgãos de controle. A transição entre empresas investigadas por facções criminosas e empresas sob mira da Polícia Federal coloca em xeque os mecanismos de compliance e fiscalização adotados pela Secretaria de Estado da Saúde.

Impacto na gestão e fiscalização

O caso, que ganhou visibilidade nacional após reportagem do portal Metrópoles, reforça a necessidade de um escrutínio rigoroso sobre como o dinheiro público é gerido por organizações sociais. A sociedade goiana aguarda um posicionamento oficial sobre quais medidas serão tomadas para garantir que a assistência à saúde não seja prejudicada por contratos que, em vez de garantir atendimento, tornam-se centros de investigações policiais.

O Parlamento segue acompanhando os desdobramentos desta apuração e os próximos passos das autoridades competentes na investigação dos contratos. Nosso compromisso é manter o leitor informado com fatos, contexto e a transparência necessária para o debate público sobre a gestão dos recursos que sustentam os serviços essenciais à população.

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